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"Cão como nós" Manuel Alegre

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"Cão como nós" Manuel Alegre

Mensagem por Ana Francisca Antunes em Qua 17 Jun 2009 - 19:11

Antes de ler o livro

1. Identificação do Livro

1.1. Título
“ Cão Como Nós”

1.2. Autor(a)
Manuel Alegre



1.3. Editora

Dom Quixote




1.4. Data da Edição
1.ª Edição: 2002


2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro

Escolhi ler este livro, porque queria ler alguma coisa, na minha casa o livro que me pareceu mais interessante foi este, pois o tema é “animal” e eu gosto muito de animais.



Após a leitura do livro

3. Contextualização do Autor

3.1. Alguns dados biográficos

Manuel Alegre

Manuel Alegre nasceu a 12 de Maio de 1936 em Águeda.

Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde foi um activo dirigente estudantil.

Foi chamado para o serviço militar em 1961, sendo colocado nos Açores.

Em 1962 foi mobilizado para Angola, onde dirigiu uma tentativa pioneira de revolta militar.

Foi preso pela PIDE em Luanda, em 1963, durante 6 meses, colocado com residência fixa em Coimbra, acaba por passar à clandestinidade e sair para o exílio em 1964.

Passou dez anos exilado em Argel, onde foi dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional.

Ligado à política, em 2005 candidatou-se à Presidência da República.





3.2. Outras Obras do(a) Autor(a)

1965 - Praça da Canção
1967 - O Canto e as Armas
1971 - Um Barco para Ítaca
1976 - Coisa Amar
1979 - Nova do Achamento
1981 - Atlântico
1983 - Babilónia
1984 - Chegar Aqui
1984 - Aicha Conticha
1991 - A Rosa e o Compasso
1993 - Sonetos do Obscuro Quê
1995 - Coimbra Nunca Vista
1996 - As Naus de Verde Pinho
1996 - Alentejo e Ninguém
1997 - Che
1998 - Pico
1998 - Senhora das Tempestades
2001 - Livro do Português Errante
2002- Cão Como Nós
2008 - Nambuangongo, Meu Amor
2008 - Sete Partidas

4. Conteúdo do Livro

4.1. Género Literário

Novela

4.2. Assunto (breve síntese)

Este livro retrata Kurika, um cão que não queria ser cão, castanho e branco com uma estrela no rosto.
Para o seu dono Manuel Alegre, Kurika não era apenas um cão, como diz o título “era um cão como nós”, era um cão que acreditava que não era cão, comportando-se como uma pessoa.


4.3. Citações favoritas (se necessário, explicadas no contexto)

Gostei especialmente desta citação, porque gosto de recordar as pessoas, o passado, tudo aquilo que nos trouxe felicidade em certo momento e por vezes sentimos a presença dessas pessoas, ou animais: ( “sei que andas por aí, oiço os teus passos em certas noites, quando me esqueço e fecho as portas começas a raspar devagarinho, às vezes rosnas, posso mesmo jurar que já te ouvi a uivar, cá em casa dizem que é o vento, eu sei que és tu, os cães também regressam, sei muito bem que andas por aí.”)

Também gostei muito desta, acho que está bem dita, pois quando estamos zangados com “o mundo”, normalmente lembramo-nos das pessoas que gostamos: ( “Zanguei-me com toda a gente, não me deixes agora, é em momentos assim que um homem precisa do seu cão”).

Também gostei muito desta, por se notar exactamente o sentimento de perda: (“ Sim, cão, eu sei que é difícil, não só para ti mas para aqueles de quem mais gosto, não posso fazer nada, não estou a ouvir ou estou a ouvir outras vozes, estou e não estou, mas é por isso que te pressinto e sei que estás aí, se não fosse como sou já tinhas morrido completamente”).


4.4. Opinião sobre o livro


Para ser sincera não é o tipo de género literário que gosto, mas acho que o livro está bem constituido, e acabei por gostar muito, pela forma exacta de Manuel Alegre descrever o cão. É um livro com uma escrita clara, retrata todo o tipo de sentimento: amor, saudade, tristeza, alegria etc. É um livro muito transparente, conseguimos entender exactamente o amor que existia entre os dois e o que é realmente um cão.

Consegui sentir-me no lugar de Manuel Alegre, pois também tenho um cão e imagino o quando deve ser difícil perde-lo, só quem tem um sabe.

Os cães não falam, não riem… mas a sua forma de expressividade, as suas atitudes, faz com que sejam como pessoas, eles entendem tudo, nós é que achamos que não.

O cão é um grande amigo do homem, talvez porque não nos critica, não diz nada, mas está sempre connosco, como Manuel Alegre diz o cão é sempre “presente-ausente”.

Acho que foi a pensar nisto tudo, que Manuel Alegre escreveu o seu livro.


Acabo assim, com um poema, que Manuel Alegre colocou no fim do livro:

Cão como nós:

Como nós eras altivo
Fiel mas como nós
Desobediente
Gostavas de estar connosco a sós
Mas não cativo
E sempre presente-ausente
Como nós
Cão que não querias
Ser cão
E não lambias
A mão
E não respondias
Cão
Como nós


Mesmo não sendo o tipo de livro que mais gosto, gostei muito!!! Very Happy

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Re: "Cão como nós" Manuel Alegre

Mensagem por Filipe Azevedo em Qua 17 Jun 2009 - 19:29

Está uma apresentação fielmente canina.
15 valores.

Gostei das citações escolhidas e também da opinião do livro. Faço, no entanto uma ressalva: deves designar "narrador" e não "Manuel Alegre", quando te referes à "personagem" que conta a história, que a narra.

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Re: "Cão como nós" Manuel Alegre

Mensagem por Ana Francisca Antunes em Qua 17 Jun 2009 - 19:33

Obrigada pelos 15 valores ! Very Happy

Eu designei Manuel Alegre porque penso que ele fala mesmo dele e do cão.

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Re: "Cão como nós" Manuel Alegre

Mensagem por Filipe Azevedo em Qua 17 Jun 2009 - 19:41

Ana Francisca Antunes escreveu:Obrigada pelos 15 valores ! Very Happy

Eu designei Manuel Alegre porque penso que ele fala mesmo dele e do cão.

Sim, pode ser autobiográfico. Mas ainda assim é um narrador. Repara: quando o autor vier a falecer (é inevitável para todos nós), continuarás a dizer que "ele está a falar do seu cão". Ora acontece que esse contador da história é o sobrevivente. Manuel Alegre não existirá, mas o narrador continua lá. Isto é, é uma ficção. É, como qualquer personagem, fictício. Mesmo quando simboliza uma pessoa real. Por isso lhe chamamos narrador. O mesmo acontece com tantos autores de séculos passados. Já não existem, são autores que reconhecemos (Camões, Eça de Queirós...) mas só os narradores sobreviveram, continuando a falar no presente. Dizem-nos coisas como: "eu estou aqui e agora a apreciar esta paisagem". E nós aceitamos muito bem esse "aqui e agora" pois sabemos que estamos no mundo da ficção.

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Re: "Cão como nós" Manuel Alegre

Mensagem por Ana Francisca Antunes em Qua 17 Jun 2009 - 19:46

Sim, era isso que eu queria dizer.
Mas pensava que se devia dizer Manuel Alegre.
Já fiquei esclarecida.

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