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Vidas Secas- Graciliano Ramos

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Vidas Secas- Graciliano Ramos

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sex 3 Jul 2009 - 19:08

Antes de ler o Livro

1) Identificação do livro
1.1 Título: Vidas Secas
1.2 Autor: Graciliano Ramos
1.3 Editora: Record
1.4 Data de Edição: 2006

2) Escolha do Livro
2.1 Motivos que levaram à escolha do Livro.
Escolhi pelo fato de ser uma obra muito famosa e uma das mais bem sucedidas do autor e da época. Já tinha lido sobre e sobre a vida do autor, me interessei muito. Além também da obra ser como leitura obrigatória para o vestibular.


Última edição por Jéehh Caroliine em Sex 3 Jul 2009 - 19:33, editado 1 vez(es)
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Re: Vidas Secas- Graciliano Ramos

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sex 3 Jul 2009 - 19:10

3) Após a leitura do Livro
3.1 Alguns dados biográficos
Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo (Alagoas), em 27 de Outubro de 1892, vindo de uma família de 15 irmãos. Fez os estudos em Maceió, onde começou a publicar na imprensa poemas e outros textos. Em 1910, sua família se estabeleceu em Palmeira dos Índios (Alagoas) Foi para o Rio de Janeiro em 1914 e começou a trabalhar como revisor em jornais. Em 1915 casa-se com Maria Augusta de Barros, com quem teve quatro filhos, que morre em 1920 devido a complicações no parto. No final da década de 1920, o autor casa-se com Helóisa Leite e tem mais quatro filhos.No seguinte, em virtude da morte de três irmãos vitimados pela peste bubônica, retornou a Palmeira dos Índios. Foi prefeito da cidade de 1928 a 1930, e um de seus relatórios de prestação de contas chamou atenção pela qualidade literária. Em 1933, já morando em Maceió publicou o primeiro romance, Caetés. São Bernardo surgiu em 1934 e Angústia em 1936, ano em que foi preso pelo regime de Getúlio Vargas, sob a acusação de subversão. Após libertado, fixou-se no Rio de Janeiro, atuando como jornalista e inspetor de ensino. Publicou Vidas Secas em 1938, sua vida tem muita relação com o livro, sofreu sua infância com a seca, e pelas surras que lhe eram dadas por seu pai- o que está presente nas duas crianças do filho que apanhavam dos pais. Morreu de câncer, no Rio de Janeiro, em 20 de março de 1953. O livro Memórias do Cárcere, relato de sua prisão, foi lançado postumamente.

3.2 Outras obras do autor
Caetés (1933); S. Bernardo (1934); Angústia (1936); Vidas Secas (1938); A terra dos meninos pelados(1939); História de Alexandre (1944); Dois Dedos (1945); Infância (memórias)- 1945; Histórias incompletas (1946), Insônia (1947); Memórias do cárcere (1953); Contos e novelas (1967); Alexandre e outros heróis (1962); Cartas de Amor a Heloísa (1992) e O estribo de Prata (1984).

4) Conteúdo do Livro
4.1 Gênero Literário: Romance Regionalista, da segunda fase Modernista, narrado em 3º pessoa.

4.2 Assunto

Desde já peço desculpas pelo tamanho do meu resumo, que ficou um pouco longo. É pelo motivo, que eu não quis sintetizar muita a história, pois não queria tirar a “a alma da história”.
A história se passa no triste sertão nordestino, uma família de retirantes que sertanejos obrigados a se deslocar de tempos em tempos por causa da seca.
Sinhá Vitória, Fabiano, o filho mais novo e o filho mais velho e a cachorra Baleia, caminhavam pelo sertão. O papagaio que ia com eles morreu de fome, o animal serviu de alimento para a família faminta. A aparência da família era sofrida, estavam todos magros, ossos saltados, rachaduras nos pés, e ferimentos.
Andaram e andaram, até encontrarem os juazeiros- sombra que não viam a muito tempo. Encontraram uma fazenda abandonada e ali se instalaram. Com o tempo a chuva a apareceu e o dono da fazenda também. Fabiano fez de desentendido e ofereceu seu serviço para poder ali ficar. O padrão aceitou, aparecia na fazenda poucas vezes,e era sempre só pra reclamar. Quando tinham que acertar as contas, Fabiano sabia que o Patrão o roubava, porém suas contas eram miseráveis. Já Sinhá Vitória sabia contar, só que suas contas eram bem diferentes das do Patrão. Fabiano agüentava quieto esses tais de juros e as reclamações, pois o Padrão podia expulsar eles dali, e iriam embora sem nada.
Fabiano se tornou vaqueiro da fazenda. Dizia a si mesmo que era como se fosse um bicho ocupado em cuidar das terras alheiras. Na verdade era como se fosse um bicho mesmo, se entendia mais com os animais, se via longe dos homens. Fabiano mal falava direito, sua linguagem era monossilábica. Quando um dos filhos lhe perguntava alguma replentia os, pois não sabia responder. Admirava Seu Tómas da Bolandeira, homem inteligente que falava bem, lia jornais e livros, e votava.
A história conta a dificuldade da família, no convívio na vida urbana. Em um desses acontecimentos, Fabiano foi a cidade comprar mantimentos no armazém de Seu Inácio. Porém o querosene era muito caro misturado com água, e até a pinga tomada por Fabiano. Fabiano ao encontrar o Soldado Amarelo que lhe convida, para jogar trinca-e-um, porém logo perde- era desprovido de inteligência. Fabiano ao sair da bodega e deixar o Soldado Amarelo falando sozinho, o deixa furioso, que logo arranja um pretexto para levar Fabiano a cadeia – pisou no pé de Fabiano até que se irritou e xingou a mãe do Soldado.
Pobre Fabiano na cadeia, não entendia nada o porque estava ali, tinha muito raiva do Soldado Amarelo, mas ainda no governo que deixa Soldados Amarelos assim cometer injustiça com pessoas inocentes como ele.
Sinhá Vitória mulher de Fabiano sonhava apenas em ter uma cama como a de Seu Tómas da Bolandeira, vivia a falar sobre isso com Fabiano.
O menino mais novo queria fazer qualquer coisa que surpreendesse a Baleia, e o irmão. Ele tinha admiração em ver o pai montar na égua, até teve um sonho que era assim como o pai – vaqueiro.
Já o menino mais velho, uma vez ouviu Sinhá Terta (era uma vizinha da fazenda) falar de inferno, e queria saber o que era. Sinhá Vitória e Fabiano só xingavam ele, quando perguntava sobre o inferno, e as respostas que davam era muito vago, e ele não se conformava de um inferno ser um lugar tão ruim.
Os meninos tinham um vocabulário precário, repetiam sílabas, e imitavam barulhos dos animais. A cachorra Baleia era companhia deles, quando estavam tristes.
Ao passar do tempo o inverno chegou, era um frio medonho, e chovia forte. A família se amontoava em volta da fogueira tentando se aquecer. Mal conseguiam dormir, as cobertas eram poucas. Fabiano ficava contando histórias confusa, não se importava com a chuva, tinha medo era da seca voltar, caso ela voltasse largaria tudo e iria matar o soldado amarelo.
Ao chegar o Natal, a família foi na festa de Natal da cidade, estavam todos “bem vestidos” – roupas curtas, cheio de emendas. Fabiano tinha comprado pano para Sinhá Terta costurar pra ele, porém ele achava que ela tinha roubado ele. Quando chegaram a beira do rio, logo arrancam um pouco da roupa, aliviar um pouco porque tinha que caminhar até a cidade. Na rua Sinhá Vitória caminhava aos tombos, por causa do sapato de salto, levava um guarda-chuva embaixo dos braços – não sabia o porque, só fazia porque era o via as mulheres da cidade fazendo.
Os meninos ao chegarem na festa, não estavam curiosos, sentiam na verdade era medo – tanta gente, casas, luzes. Na Igreja Fabiano sentia-se constrangido com aquelas roupas, por mais que sofresse, usar aquelas roupas ele achava que era uma tradição, e não queria desrespeitar. Depois que saíram da igreja Fabiano bebeu uns goles de cachaça. Logo ficou bêbado, e soltava insultos ao vento xingando o soldado amarelo, e caso encontrasse ele iria bater nele. Depois de um tempo, Fabiano sentou no chão da calçada, arrancou o paletó, a gravata e dormiu na calçada. Roncava e sonhava que batia no soldado amarelo.
Depois da festa a cachorra Baleia estava doente a morrer. Fabiano tinha medo da cachorra morder as crianças, estava decido que mataria ela. Coitadinha da Baleia foi atingida com um tiro em uma das pernas, cambaleou, até uns juazeiros- sentia muito dor. Baleia só queria dormir, e acordar feliz num mundo cheio de preás. E assim morreu a pobre coitada da Baleia.
Certo dia depois de acertar as contas com o Patrão, Fabiano voltava da cidade. No meio da vereda, cortando com o facão os galhos que apareciam no na frente. De repente deu de cara com o soldado amarelo. Ali com o facão na mão, Fabiano pensou em matar o soldado amarelo que estava tremendo. Porém Fabiano sentiu raiva de si mesmo, pois não teve coragem, acabou deixando o soldado amarelo partir.
O sol andava forte e os urubus rondam. A conselho de Sinhá Vitória que acreditava que era os urubus que traziam a seca, Fabiano foi matar os bichos. Eram tantos, matou alguns, que depois serviu de alimento para a família.
A vida na fazenda se tornava cada dia mais difícil. Fabiano então resolveu combinar a viagem com a Sinhá Vitória. Saíram de madrugada, e tomaram rumo ao Sul. Fabiano tina suas incertezas da viagem e as lembranças da cachorra Baleia o atormentavam. No caminho Sinhá Vitória contava a Fabiano, sobre seus sonhos e esperanças de encontrarem ao Sul, terra boa, os meninos freqüentariam escolas, teriam educação e seriam diferentes deles.
[i]


Última edição por Jéehh Caroliine em Sex 3 Jul 2009 - 19:53, editado 4 vez(es)
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Re: Vidas Secas- Graciliano Ramos

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sex 3 Jul 2009 - 19:13

4.3 Citações favoritas.

“A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pêlo caíra em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.”
Trecho em que descreve, o estado em que se encontrava Baleia, a beira da morte. Trecho que muito me emociona.

“Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme.”
Percebe que a cachorra Baleia é humanizada. Os devaneios e delírios do animal na hora da morte assemelham-se aos de um ser humano faminto que, no instante final, da vida, sonha com comida. Assim, o momento humano de Baleia equipara-se à vida da família de retirantes, que também sonha com dignidade, uma mesa farta e uma cama.

“ Iam-se amodorrando e foram despertados por Baleia, que trazia nos dentes um preá. Levantaram-se todos gritando (....)”
Trecho em que descreve a cena Baleia, que encontra o alimento que serve de sustento para sobrevivência de mais um dia da família.

“Abraçou a cachorrinha com uma violência que a descontentou. Não gostava de ser apertada, preferia saltar e espojar-se(...) O menino continuava a abraçá-lá. E baleia encolhia-se para não magoá-lo, sofria a carícia excessiva (...)”
Trecho que descreve a cena, em o menino mais velho ao apanhar da mãe, vai se consolar com Baleia, que apesar de não gostar do carinho, agüentava para não magóa-lo. Cena que descreve mais um dos comportamentos humanos da cachorrinha.

“ Agora Fabiano conseguia arranjar as idéias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportanto ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não(...) O soldado amarelo era um infeliz que nem merecia um tabefe com as costas da mão. Mataria os donos dele.”
Esse é um exemplo do estilo seco e objetivo de Graciliano Ramos. Os períodos curtos e economia de adjetivos, com inspiração em Machado de Assis, resultam no efeito áspero e rígido do texto.



" Fabiano percorreu as lojas, escolhendo o pano, regateando um tostão em côvado, receoso de ser enganado(...)Ai certificou-se novamente de que o querose estava batizado e decidiu beber uma pinga, posi sentir calor (...) Ia jurar que a cachaça tinha água."
Trecho em que demostra o medo de Fabiano, em relação as pessoas em de ser sempre enganado. O comerciante que batiza querosene, assim como hoje que vemos em postos de gasolina que adulteram a gasolina- para ganharem mais.


" exclamações, onomatopéias. Na verdade falava pouco. Admirava palavras cumpridas e díficeis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis talvez perigosas"
Trecho que explica muito bem, que Fabiano era desprovido de inteligência, por isso se considera "um bicho", o que achava das pessoas da cidade.


4.4. Opinião sobre o livro.
Gostei do livro, o fato de ser narrado na 3º acho muito interessante, pois mescla as falas dos personagens ao discurso do narrador. E os 11 capítulos independentes, qualquer um que você lêr entenderá a história A história é muito triste, retrata muito bem o sofrimento da seca, em vários momentos da leitura do livro me emocionei. A personagem da cachorrinha Baleia foi a que mais gostei, me apaixonei por ela, fiquei decepcionada quando ela morreu- as lágrimas foram inevitáveis.
O livro retrata a seca do Brasil, principalmente no Nordeste. Recentemente em conseqüência do aquecimento global, a região do Nordeste foi atingida por chuvas intensas, que inundou diversas casas.
A miséria causada pela seca, como elemento natural, soma-se a miséria imposta pela influência social, representa pela exploração dos ricos proprietários- que isso tem muito ainda, patrões que exploram os empregados. A fome tão presente no Brasil principalmente no Nordeste – no mundo também. O descaso do poder público em relação a educação nessa região. Os dois espaços o "rural" e o "urbano" são muito importantes pois retrata muito bem as situações de adequações e inadequação dos personagens.
Aconselho a leitura, e a obra por ser tão famosa existe um filme, e foi feita várias adaptações para o teatro.


[b]
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Re: Vidas Secas- Graciliano Ramos

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sex 3 Jul 2009 - 20:22

Capa do livro




Baleia




Cena do filme
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Re: Vidas Secas- Graciliano Ramos

Mensagem por alexandre(hiro) em Sab 4 Jul 2009 - 23:12

Parabéns!!!
Fiquei muito surpreso com a sua apresentação!!!
Acho que faltou você recolher dados biográficos interessantes e importantes!!!

E sua nota é ... 17 (8.5)
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alexandre(hiro)
"Best Seller"


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Re: Vidas Secas- Graciliano Ramos

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