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Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

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Leitor Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

Mensagem por Jéehh Caroliine em Seg 28 Set 2009 - 20:20

Ficha de leitura

1. Identificação do livro

1.1. Título
Triste fim de Policarpo Quaresma

1.2. Autor

Lima Barreto

1.3. Editora
Editora Ática.

1.4. Data da Edição
1987

2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram a escolha do livro
O motivo já tinham me contado sobre o livro que tinha uma boa história, fiquei curiosa. E esse é um dos livros que são pedidos como leitura para os vestibulares.


3.Contextualização do autor
3.1. Alguns dados biográficos
Afonso Henrique de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1881. Mulato, de família humilde e culta, perdeu a mãe aos 7 anos. Pela mão de seu padrinho de batismo, o Visconde de Ouro Preto, Ministro do Império, completou os estudos no Ginásio Nacional, entrando em 1897 na Escola Politécnica, com o objetivo de forma-se engenheiro. Teve porém, de abandonar o curso para assumir o sustento da família, por causa do enlouquecimento do pai, em 1902. Ocupando um pequeno cargo público, de amanuense, passou a colaborar na imprensa e a escrever sues primeiros romances. Estreou na literatura com Recordações do Escrivão Isaías Caminha,publicado em 1909. Dois anos depois, Triste Fim de Policarpo Quaresma saiu em folhetins no Jornal do Commercio. Em 1914 é recolhido a um hospício. Em Quatro anos (1915)depois emprestou dinheiro de um amigo, para publicar o livro. 1916 doente interrompe temporariamente sua atividade literária e profissional. Atua na imprensa anarquista, onde publica Manifesto Maximalista. Em 1918, é aposentado do seu cargo na Secretária de Guerra, por invalidez. Em 1919 novamente é recolhido ao hospício, de onde só sairá o ano seguinte. Em 1922 vítima de colapso cardíaco, falece no Rio de Janeiro em 1º de Novembro, com apenas 41 anos, em estado de completo abandono e de miséria. Sofreu em suas crises de depressão e do alcoolismo. Os parnasianistas o consideravam escrito semi-analfabeto. Lima Barreto sofreu por criticar os poderosos de seu tempo, e suas desilusões não foram poucas.

3.2. Outras obras do autor
Romances- Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909); Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915); Numa e a ninfa (1915); Vida e morte de M. J. Gonzaga de Spa (1919); Clara dos Anjos (1948).
Sátiras- Os Bruzundangas (1923); Coisas do Reino Jambom (1953)
Contos- História e sonhos (1920); Outras histórias e Contos argelinos (1952)
Artigos e Crônicas- Bagatelas (1923), Vida Urbana (1953)
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Jéehh Caroliine
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Leitor Re: Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

Mensagem por Jéehh Caroliine em Seg 28 Set 2009 - 21:00

4. Conteúdo do Livro

4.1. Género Literário
Romance

4.2. Assunto

Major Quaresma, trabalhava como subsecretário no Arsenal de Guerra, chegava há casa todo dia exatamente às quatro e quinze da tarde. Era assim a trinta anos, de tal maneira que os vizinhos já estavam até acostumados. Morava ele e sua irmã Adelaide numa rua afastada de São Januário. A vizinhança tinha por ele consideração e respeito de homem abastado, mas o consideravam esquisito.
Major Quaresma não tinha amigos nem inimigos da redondeza, fora uma discórdia com Doutor Segado, que não admitia que Quaresma tivesse livros, se não era formado. Major Quaresma não mostrava os livros a ninguém, mas acontecia que quando abria as janelas da sala de sua livraria, da rua dava pra ver. Havia mais ou menos 10 estantes, com quatro prateleiras, unicamente autores nacionais.
O Major Quaresma conhecia bem francês, inglês, alemão, lia e os traduzia corretamente. Desde os vinte anos, o amor pela Pátria tomou-o por inteiro. Não tinha ambições políticas ou administrativas. Não se sabia ao certo em que estado do Brasil ele nasceu. Aos dezoito anos quis ser militar, mas a junta de saúde julgou-o incapaz. Major sabia tudo sobre o Brasil, a história, geografia, literatura e política. Um homem calmo, que só ficava agitado quando se discordavam sobre o Brasil. Major era patriota ufanista, só se vestia, calçava, comia coisas nacionais, suas plantas de seu jardim eram apenas plantas nacionais. Tinha a convicção que o Brasil era o primeiro país do mundo, que só precisa de tempo para ultrapassar a Inglaterra.
Quaresma escolheu aprender tocar violão, pois era considerado instrumento da alma nacional, quem era seu professor era Ricardo Coração dos Outros. O costume de tocar violão era visto com maus olhos pela elite da época. O instrumento era considerado sinônimo de boêmia e vadiagem. Por isso, a zombaria em torno de Quaresma, aumenta ainda mais, o chamavam de louco. Quaresma acaba descobrindo que o violão não era genuinamente nacional, tendo sido trazido por estrangeiros europeus, e perde o interesse.
Fazia um ano, que já dedicava ao Tupi-guarani. Na repartição ficaram sabendo e deram o apelido de Ubijara.
Major tinha o costume de na hora do café, falava aos companheiros sobre seus estudos do Brasil. Os colegas ouviam o com respeito, apenas Azevedo quando Quaresma saia de perto, falava mal por trás.
Ismênia a filha do General Albernaz, vizinhos de Quaresma, em uma visita a casa de Quaresma ela ouviu Ricardo cantar, e o convidou para uma tocar numa festa de seu pai. General apenas por nome, nem mesmo uniforme tinha na sua carreira militar não viu uma única batalha, foi sempre ajudante de ordens, era Secretário do Conselho Supremo Militar, nada entendiam de guerras, táticas de estratégia, mas aos amigos inventava histórias.
Albernaz falou em organizou uma festa à moda do Norte, por ocasião de seu aniversário. O general e sua mulher Maricota adoravam festas. Quaresma aprovou e animou Albernaz. O dia chegou à casa de Albernaz estava cheia. Quaresma tinha estudado sobre o folclore e quase todas as tradições e canções eram estrangeiras.
Certo domingo quando bateram à porta, era seu compadre Vicente e sua afilhada Olga, ao abriu a porta não apertou a mão, desandou a chorar. Isso tudo porque o cumprimento não era brasileiro, e sim chorar como os Tupinambás faziam.
Este seu compadre Vicente, era italiano de nascimento, quitandeiro ambulante, fornecedor de Quaresma há anos. Certa vez Vicente, devia há um colega não tinha dinheiro para pagar, e estava disposta a mata-ló. Quaresma viu a preocupação de Vicente, que contou o que estava acontecendo, bondoso Quaresma emprestou dinheiro. Vicente pagou a divida, fez uma quitanda, enriqueceu e casou, teve uma filha. Olga tinha enorme admiração por Quaresma que ocupava em seu coração o lugar da filha que não teve. Ela não pensava em se casar tão cedo, era diferente das outras moças da época. Vicente, viúvo queria tanto casar a filha, ficava bravo que ela em vez de ficar até tarde nos bailes voltava cedo para casa. Era um pai e tanto, adorava percorrer as lojas procurando o melhor tecido para a filha. O que o contrariava eram as amigas de Olga, e as mães com seus modos de falsa nobreza, ia para o interior da casa quando tais visitas se encontravam.
Ismênia se casaria em março, a quase cinco anos de noivado. Alegria da família, e não podia passar sem festa. Ismênia tinha quatro irmãs, Quinota, Zizi, Lalá e Vivi que estavam mais felizes que a noiva. O casamento para Ismênia era obrigação não tinha amor, não queria ficar sozinha, a vida de uma mulher para ela se resumia em apenas um casamento, o que ouviu desde criança em casa, colégio, na rua. Não se casar parecia uma vergonha, um crime. Ismênia namorava com Cavalcanti desde os 19 anos. Seu pai apesar de não aprovar muito a relação dos dois no começo, Cavalcanti convenceu que dentistas ganhavam bem. No começo Cavalcanti teve dificuldades, e seu sogro ajudou nas despesas, taxas de matricular, livros e a fim de evitar as despesas jantava todos os dias na casa do sogro. Albernaz era um homem bom, queria casar as filhas rápido.
No dia da festa, a mãe de Ismênia Dona Maricota estava toda feliz. Veio muita gente, pessoas importantes. Ricardo não foi convidado porque Albernaz temia a opinião publica. Quaresma não foi à festa porque não quis. A festa estava repleto de personagens medíocres, cheio de títulos vazios.
Em uma sessão da Câmara, ao lerem um requerimento escrito por Quaresma, a pedido que tupi-guarani fosse à língua oficial do Brasil. Ao proceder da leitura, todos que se encontraram na câmara, deram risada – estava Quaresma louco. E publicaram em todos os jornais sobre tal requerimento, e comentavam sobre Quaresma. Uma ilustração semanal publicou uma caricatura e Quaresma foi apontado na rua.
Certo dia o secretário veio a faltar, e foi Quaresma, que o substitui, estava cheio de trabalho naquele dia. Tinha começa a passar a limpo um oficio, sobre Mato Grosso. Quando por distração ouviu um funcionário falar mal dele. Com a distração, e traduziu o oficio para a língua indígena. O diretor não reparou, seguiu o oficio ao ministério. Consultaram a todos e ninguém entendia o que estava escrito, pensaram até que estava em grego. O secretário quando viu o oficio logo reconheceu pela letra, era de Quaresma. Quaresma lembrou da distração, e confessou quis e explicar tudo, não conseguiu terminar a frase. E o secretário o entendeu mal pensando que Quaresma estava o chamando de burro, xingou Quaresma que ficou quieto, e o suspendeu.
Quaresma foi internado no manicômio em Praia das Saudades. Já se fazia uns três ou quatro meses. O autor descreve como o hospício era um lugar triste, meio prisão, meio hospital. Quaresma não se importava com seus negócios, sua irmã não sabia o que fazer. Vicente acabou cuidando de tudo, e estava arranjando a aposentadoria de Quaresma em vez de demissão. Só Olga, Vicente e Ricardo visitavam Quaresma, Adelaide não ia. . Os visitantes evitavam olhar uns aos outros com medo de depois serem reconhecidos na rua normalmente. Quaresma tinha emagrecido, e os cabelos estavam um pouco brancos. Olga comunicou que iria ser casar, com Doutor Borges, quando Quaresma o perguntou se gostava de Borges. Olga não soube responder, não sabia por que iria se casar, apesar de não o homem de seus sonhos. A visita não demorava muito, sempre aos domingos.
Ricardo que estava cuidando da aposentaria de Quaresma, Vicente passou para ele, pois não entendia muito de leis. Ricardo sofria na sua alma, pois havia um preto a tocar violão e estava fazendo fama [racismo].
Havia três meses, que viera habitar aquela casa, a duas horas do Rio por estrada de ferro. Após ter passado seis meses no hospício. Seus sitio se chamava sossego. A idéia do sitio foi de Olga, vendo o padrinho tão triste. Policarpo vê na agricultura, um grande alicerce de crescimento para o país, por isso inicia imediatamente uma frenética pesquisa sobre a agricultura. Logo percebe que o simples manejo de uma enxada é tarefa excessiva para ele. Por isso contrata mais empregados Felizardo e Mane Candeeiro, além de seu empregado o preto Anastácio, que trabalha com ele há mais de trinta anos.
Olga tinha se casado, Quaresma não foi à festa, mandou um leitão, e o peru e escrevera uma carta. Estava empolgado com o sitio, pois chuva vinha, e não queria sair. Ricardo foi visitar Quaresma dinheiro emprestado por Albernaz, sentia saudades. Outro dia ouviu uma rapariga cantar sua música, e se sentiu aliviado, não estava esquecido.
O convívio de Quaresma, na pequena cidade no inicio é bom. Só que líderes políticos locais corruptos (Antonio Dutra, e Doutor Campos) tentam envolver Quaresma em suas negociatas, porém não o interessava se envolver na política. Vingaram-se de Quaresma, com intimações a pagar multas, e capinar terreno público, Quaresma nem se intimou.
Certa noite depois do jantar, todos foram dormir. Quaresma ficou no quarto a ler, a casa estava em silencio, de repente ouviu barulhos. Levantou-se agarrou o castiçal e foi à despensa ver o que era assim mesmo de camisa de dormir como estava. Eram formigas saúvas que estavam roubando todo o seu estoque.
Quaresma ficou feliz com a primeira colheita, ganhou dinheiro pouco decerto descontando transporte, custo de caixões, o salário dos empregados. As formigas reapareceram e não durou muito a alegria de Quaresma. Comprou formicida, e queimou na abertura dos formigueiros. Passaram dias e os inimigos pareciam derrotados. Porém mais um ataque, dessa vez eram todas as laranjeiras. Foi uma batalha sem tréguas. Quaresma não desanimou, e pode colher alguns produtos. Em relação aos adubos resistia a usar, quando o marido de Olga o falou ficou nervoso, pois uma terra não precisa de aditivos. Uma peste atacou o galinheiro, as galinhas, perus, patos, estavam mortos, e não havia quem soubesse curar.
Quaresma ao ver no jornal sobre a revolta da esquadra da Marinha, que estoura no Rio de Janeiro, vê uma oportunidade para lutar pelos seus direitos.
Muitos participaram, era mais pelo salário, pois na verdade tinha desinteresse. O próprio marido de Olga, Armando Borges, ambição de dinheiro, ser apenas médico de hospital particular não da fama, como ser do governo. Borges escrevia artigos médicos nos jornais, mais nenhuma era de sua autoria, eram todos traduzidos de alemão, inglês. Borges fingia ser o intelectual, a sua falsa ciência.
Quaresma em um encontro com o presidente, levou junto um memorial que redigiu da reforma agrária. Floriano Peixoto era um presidente preguiçoso, que usa da violência quem fosse contra suas opiniões. Quaresma entregou seu memorial, Floriano tratou com indiferença e jogou na mesa, quando o cadete Bustamante apareceu, ele rasgou um pedaço do papel do memorial para escrever um bilhete para Bustamante entregar, pediu desculpas dizendo que rasgou a parte que não estava escrita. Quaresma ficou quieto. Bustamante era conhecido de Quaresma, já tinha o visto na casa de Albernaz.
Ismênia estava louca depois do sumiço de Calvacânti, ficava dias sem falar, quando falava era de casamento. Certo dia a mãe saiu, as irmãs se distraíram e deixou sozinha. Viu no guarda-roupa o vestido, e vestiu, de repente sentiu uma tontura e caiu sobre a cama, morreu. O enterro foi no mesmo dia, estava cheio, Quaresma foi, tinha muito dó da pobre moça.
Ricardo por pressão é obrigado a ser soldado da revolta. Com o tempo à revolta passou a ser uma festa, um divertimento da cidade. As pessoas pegavam as balas, e faziam de enfeites. Os soldados recebiam muito bem, e as noites saiam para se divertir, Quaresma não ia.
Vicente não tinha decidido ainda quando viajaria para Europa, tinha que tirar o passaporte, isso o amendrotava era italiano, tinha medo de ser agredido por autoridades.
O sitio de Quaresma, estava abandonado apesar dos esforços do Anastácio, mas as formigas voltam mais forte. As maquinas agrícolas estavam enferrujadas. Entretanto ele cultivava uma horta, e na luta diária a brigar com as formigas, tinha até cercado a horta.
Quaresma mandou uma carta a Adelaide, dizendo que estava ferido e tinha matado um homem, e Ricardo ferido gravemente, estava desanimando com a revolta, e que tinha se desiludido completamente com a guerra. A revolta vinha chegando ao fim. Albernaz não gostava muito, lá ia seu salário por água a baixo.
Quaresma aceitou com repugnância o papel de carcereiro, na ilha das Enxadas. Ricardo estava de guarda na ilha das Cobras. Certa noite apareceu o oficial de Itamaraty, e na sala ficaram vários corpos nus, e foi escolhendo uma dúzia para levar ao boqueirão. Quaresma não pode fazer nada. Porém ficou indignado e mandou uma carta ao presidente protestando tal atitude, seu sentimento de bom homem falava mais alto. Essa carta foi vista como revolta, e prenderam Quaresma. Coitado não entendia o porquê, esse seria o triste fim morrer, depois de tudo que tentou fazer pela sua pátria. Ele lembrava há 100 anos homens ali estiveram presos por querem mudar o estado, ao se lembrar chorou. Ele não soube mais Ricardo, procurou várias pessoas para tentar tirar-lo de lá, Genelicio, Albernaz, Bustamante, Inocêncio, ninguém quis ajudar, não queriam se comprometer. Olga a afilhada de Quaresma, aceitou tentar ajudar o padrinho, seu marido tentou proibir-la. Ela disse que não se importava se iria comprometer o marido. Porém não conseguiu falar com Floriano, e seus empregados a proibiram de ir, foi inútil. Ninguém tinha mais mínimo de consideração, amor por ninguém. Achou melhor deixar seu padrinho morrer heroicamente, intacto seu orgulho. Lembrou que no passado tribos selvagens, agora homens locomotivas, ficavam a esperança que mudaria de novo.

4.3. Citações favoritas (se necessário, explicadas no contexto)

"Política de Curuzu

Quaresma, meu bem, Quaresma!
Quaresma do coração!
Deixa as batatas em paz,
Deixa em paz o feijão.

Jeito não tens para isso
Quaresma meu cocumbi!
Volta à mania antiga
De redigir em tupi"
Olho Vivo

Estes são os versos publicados no jornal de Curuzu criticando Quaresma.


"A casa estava em silêncio; do lado de fora não havia a mínima brulha. (...) Da despensa, que ficava juto a seu aposento, vinha um ruído estranho. (...) levantou-se, agarrou o castiçal e foi á dependência da casa donde partia o ruído, assim mesmo como estava, em camisa de dormir. Abriu a porta; nada viu. Ia procurar nos cantos, quando sentiu uma ferroada no peito do pé. Quase gritou. Abaixou a vela para ver melhor e deu com uma enorme saúva agarrada com toda fúria á sua pela magra. Eram formigas que, por um buraco do assoalho, lhe tinham invadido a despensa e carregavam as suas reservas de milho e feijão, cujos recipientes tinham sido deixados abertos por inadvertência. O chão estava negro e carregadas com os grãos (...) Quis afugentá-las. Matou uma, duas, dez, vinte, cem, mas eram milhares, e cada vez mais o exército aumentava. Veio uma, mordeu-o depois outra, e o foram mordendo pelas pernas, pelos pés, subindo pelo seu corpo. Não pôde agüentar, gritou, sapateou e deixou a vela cair. Estava no escuro. Debatia-se para encontrar a porta; achou e correu daquele ínfimo inimigo que, talvez, nem memso á luz radiante do sol o visse distintamente."
Eu gostei dessa cena é dramática e simultaneamente cômica.

"Mas, como é que ele tão sereno, tão lúcido, empregara sua vida, gastara o seu tempo, envelhecera atrás de tal quimera? Como é que não viu nitidamente a realidade, não a pressentiu logo e se deixou enganar por um falaz ídolo, absorver-se nele, dar-lhe em holocausto toda a sua existência? Foi o seu isolamento, o seu esquecimento de si mesmo; e assim é que ia para a cova, sem deixar traço seu, sem um filho, sem um amor, sem sequer uma asneira"

Esse trecho, é parte da longa reflexão que Policarpo Quaresma tece sobre a própria trajetória. É interessante traçar um paralelo com outro defunto solitário, o machadiano Brás Cubas, que, no último capítulo do libro de suas memórias, afirma que não teve filhos... Em Lima Barreto porém essa reflexão perde algo da agudeza irônica de Machadi e se deixa contaminar pela expressão de uma negatividade mais prolixa. O trecho resvala o sentimentalismo autopiedoso. Fique-se bem entendido: morre sozinho, e sem grandes feitos, mas lúcido, absolutamente lúcido.

4.4. Opinião sobre o livro

Triste Fim de Policarpo retrata a vida de um idealista apaixonado pelo Brasil, que suas idéias de patriotismo são motivos de chacotas e de isolamento. Enquanto políticos corruptos formavam a elite do Brasil.
Policarpo é um personagem de má sina como seu nome já diz “poli” muito e “carpo” choro, sofrimento. E “Quaresma” período de penitências e resguardo que começa no fim do carnaval e se estende por 40 dias. Policarpo tem muito de Dom Quixote, pois se cerca de uma visão de sublime que a realidade a sua volta não comporta. É ridicularizado por todos, mas essa zombaria mal esconde a mediocridade de quem ri de suas atitudes e idéias. Personagem que não se deixou levar pelo mundo e limitado que era a alta sociedade carioca do século XIX. Que após anos de luta, de estudos, de amor à pátria, se desilude com a guerra, com o descontentamento pelo desinteresse geral naquela época das pessoas em conservar a memória histórica brasileira, em dar valor o que próprio de seus pais. No final sua morte é certa, morre sozinho sem grandes feitos.
Hoje em dia não há pessoas como Policarpo, nem naquela época já não existia quase. Ontem, hoje e sempre estávamos a valorizar o que vem de fora (roupas, comidas, musicas, aparelhos domésticos) - é o melhor, e não olhamos para o que temos aqui.
A obra retrata o valor que é atribuído ao advogado “status social”. As pessoas que simplesmente se formam para ter o diploma, e finge ser intelectuais. Hoje isso tem muito ainda, médicos que não sabe exercer nada de O desenvolvimento do funcionalismo público, está associado ao crescimento da cidade, no século XIX. Os vários personagens medíocres, cheio de títulos vazios. Hoje vemos falsos cargos públicos, que são dados por políticos a familiares. O presidente Marechal Floriano, a imagem de preguiço, do que não tem idéias e nem amor pelo trabalho, e fazia uso da violência atos de brutalidade e selvageria. Por essa razão foi atribuído a Floriano o título de "Marechal de Ferro”. Hoje temos o "livre arbítrio "de se expressar.
Os livros que eram utilizados para socialmente demonstrar uma cultura apenas teórica e inútil. Ao contrário de Policarpo que aplicava seus conhecimentos adquiridos na leitura na prática.
As mulheres naquela época, cuja vida se resumia em apenas casar, o amor deixava de lado, suas funções eram restritas cuidar da casa e de reproduzir. Olga quando diz que queria ter nascido homem, antecipam as características da mulher da segunda metade do século XX. As mulheres q hoje mudaram muito suas atitudes, o casamento não é prioridade, trabalham, estudam.
O preconceito racial camuflado tão comum na sociedade brasileira, quando Ricardo tem raiva do cantor preto que estava fazendo fama. O preconceito ainda prevalece, hoje mais camuflado pois é crime, as pessoas preconceituosas agem com violência.
A condição do trabalhador agricultor quando coloca seu produto no mercado, sem nada que o proteja, é descontos de impostos aqui e ali. Hoje isso ainda permanece, e os impostos são maiores. Há paises que tem subsídios agrícolas, mais são aos grandes produtores.
Lima Barreto loucura fez parte de sua vida. O livro é considerado, portanto Pré-Modernista. No livro por meio de citações de trechos, aparecem poetas famosos como Olavo Bilac, escultor Mestre Valentim. A xenofobia característica modernista explorada, Lima já a trata antes quando Vicente tem medo das autoridades por ser Italiano.
Achei muito interessante, o livro trata de vários comportamentos, um livro bem completo em minha opinião. É de uma fácil leitura, as expressões de outras línguas como francês, estavam traduzidas no rodapé “pettit pois” são ervilhas. Só pince-nez que apareceu várias vezes no livro, e não tinha tradução no rodapé, procurei saber o que significado é “óculos”.
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Leitor Re: Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

Mensagem por Jéehh Caroliine em Seg 28 Set 2009 - 21:14

Lima Barreto




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Leitor Re: Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

Mensagem por alexandre(hiro) em Dom 4 Out 2009 - 10:47

Parabéns... Uma excelente apresentação...
Um pouco longa mas muito muito envolvente...
Sua nota é... 18 (9.0)
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Leitor Re: Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

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