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" A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

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" A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por Beatriz Franco em Dom 8 Nov 2009 - 9:35

Antes de ler o livro



1. Identificação do Livro

1.1. Título


"A Vida Inteira "




1.2. Autor(a)

Miguel Esteves Cardoso


1.3. Editora

ASSÍRIO & ALVIM


1.4. Data da Edição

Edição 399 (Dezembro, 1995)


2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro

A decisão de leitura desta obra destaca-se, desde logo, pelo facto de que o meu interesse por este autor já ter sido suscitado em obras anteriores, nomeadamente a obra intitulada "O Amor é Fodido”. Foi impossível conter a curiosidade no que diz respeito à visão particular do autor sobre certos factos de vida e por isso quis confirmar, com a leitura desta obra, se esta característica se mantinha. Para além disso o título desta obra é bastante enigmático, o que incita a uma certa curiosidade. Pessoalmente, costumo de gostar de livros que deixem em aberto toda a história para que eu tenha vontade de os ler até á ultima página.

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Re: " A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por Filipe Azevedo em Dom 15 Nov 2009 - 10:07

Estás a tornar-te especialista no Esteves Cardoso...

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Re: " A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por Beatriz Franco em Dom 6 Dez 2009 - 12:46

Após a leitura do livro


3. Contextualização do Autor


3.1. Alguns dados biográficos



Miguel Esteves Cardoso

Jornalista e sociólogo português, nascido em 1955, após a sua licenciatura, fez estudos de pós-graduação em Inglaterra, tornando-se professor auxiliar e investigador do Instituto de Ciências Sociais.
Trabalhou na comunicação social, fazendo crítica de música em jornais como O Jornal e O Expresso. Em 1988 fundou O Independente com Paulo Portas. Em 1990, depois de se afastar daquele semanário, fundou a revista Kapa.
Esteves Cardoso é também tradutor, ensaísta, autor de programas de rádio, dramaturgo, entrevistador. Tornou-se uma personalidade conhecida pela sua participação regular em programas televisivos.









3.2. Outras Obras do(a) Autor(a)

“Causa das Coisas” (1986)

“Meus Problemas” (1989)

“ As Minhas Aventuras na República Portuguesa” (1990)

“Último Volume” (1991)

“ A Vida Inteira “ (1995)

“ Cemitério de Raparigas “ (1996)

“Explicações de Português” (2001)



4. Conteúdo do Livro

4.1. Género Literário
Romance de Crítica Social



4.2. Assunto (breve síntese)


"A Vida Inteira", livro de Miguel Esteves Cardoso, fala-nos da dificuldade de fazer alguém gostar de nós, de devaneios amorosos e sobretudo fala-nos sobre o ser humano e sobre a vida. Nesta obra, o narrador, e também uma das personagens principais, é uma alma, com uma longa experiência nesta “ vida” de alma, que vagueia por objectos e corpos humanos. Actualmente é a alma de um rapaz que teve um acidente de mota e está em coma há dois anos. Seria uma alma livre que podia vaguear pelo mundo, no entanto encontra-se presa a um amor não correspondido. O rapaz está apaixonado por Eva, rapariga com uma mente muito complicada.
Através das almas do narrador e de Eva, o livro trata do mais forte desejo carnal sob ambas as perspectivas, perversa e inocente. Com o auxílio dos versos de Camões, lidos por Eva, apercebemo-nos da dimensão da vida e do ser humano, como ser profundo e voluptuoso.





4.3. Citações favoritas (se necessário, explicadas no contexto)



Neste livro deparamo-nos com pequenas críticas ao ser humano. O narrador, que é uma alma já antiga, mostra-nos pequenas atitudes habituais do ser humanos onde qualquer pessoa que lê o livro se reflecte. Por este motivo a maioria dos momentos que mais gostei foram precisamente momentos de alguma crítica.



" Se dizes «meu amor», como podes crer que seja só teu? Dizes apenas «amor» e procura dá-lo a quem o queira ou a quem tu queiras."

É tão habitual dizermos “ meu amor” e é tão habitual acharmos que tudo aquilo que gostamos é nosso. Adoramos os determinantes e pronomes possessivos. O que é errado. Em vez de prendermos em nós aquilo que realmente gostamos, devíamos fazer com que o que gostamos se prendesse a nós.



" Ele encharcado para comover, baixa a cabeça e pede desculpa por ter vindo, Isto é muito humano. Fazer uma coisa e querer ser tratado como se não a tivesse feito."

Mais uma atitude caricata de qualquer ser humano. Podemos virar o mundo ao contrário mas se no fim pedirmos desculpa ele volta ao dito normal, achamos nós claro. Errar é humano mas se esse erro tiver consequências, então só temos de aceitá-las, ou melhor, aguentá-las.



" Eva sai do café e vai esperar o eléctrico. Havia de ser ao contrário. Saísse ela da faculdade e houvesse uma fila de eléctricos á espera dela. Num mundo perfeito."

Aqui destaca-se a dificuldade que o ser humano encontra em tudo á sua volta. Queremos sempre o mais fácil e para nós o ideal é que tudo aparecesse á nossa frente sem que nós fizéssemos nada para isso acontecer. Queremos o fácil, o rápido e o bom, esquecemo-nos é de querer fazer por isso.



" «Não chores», responde Eva. Porque é que se diz isto ás pessoas que choram, em vez de abraçá-las com muita força ? "

Como se disséssemos “ Não chores “ e alguém parasse de chorar, como se disséssemos “ Já passou “ e tudo aquilo que faz alguém chorar simplesmente passa-se.



" As pessoas que não têm noção do que fazem têm almas maiores que as outras. Não sabem o que querem, que é a maneira humana de quererem tudo sem serem ambiciosas."

Eva nunca soube o que queria e na minha opinião nunca perdeu tempo a pensar nisso. E talvez nunca soube porque sempre quis tudo, não poderia abdicar de nada que lhe desse um momento de prazer, não poderia deixar nada para trás nem substituir pessoas e momentos. Cada pessoa, cada lugar e cada momento ofereciam-lhe algo de novo e por isso era impossível para ela abdicar de alguma coisa.




“De qualquer forma, não há ninguém mais perigoso do que a pessoa que não sabe quem é.”

É preciso saber quem somos para perceber o que está á nossa volta. É preciso perceber as nossas atitudes para avaliar as atitudes dos outros. E se não soubermos quem somos não podemos perceber o que queremos. E se não sabemos o que queremos então nem podemos imaginar o que somos.



“ Ser outra vez menina - não para poder ter a vida toda á minha frente, mas para ter pouca vida atrás de mim. Não caber em nenhuma das tristezas já tratadas e não estar triste sequer.”



Vontade só de não conhecer nada, mas de não ficar aqui, enredada no que os outros querem, esperam de mim.”



“ Ver-me livre das pessoas. No fundo, é o que ela quer. Pena que seja a começar por ela. “



“Puséssem-se no meio dum prado, desde que fosse quente e pudesse desligar o sol e mergulhar na escuridão quando me apetecesse.”

Todas estas pequenas expressões de Eva mostram que ela não tinha vontade de viver nem de continuar. Eva não gostava do seu passado, sobrevivia o seu presente e temia o seu futuro. Já nem conseguia estar triste, simplesmente estava. Na realidade, Eva sentia-se culpada pelo acidente do rapaz e por isso a raiva morava dentro dela. Não gostava de ninguém porque nem gostava de si própria. Temia que os outros quisessem levá-la onde ela não pudesse ir, quisessem fazer dela o que ela não era e esperassem dela algo que ela não conseguisse mostrar. Eva não queria ninguém nem nada, desejava apenas ficar no escuro. Como se pudesse ficar lá para sempre…



“Esforcei-me tanto dentro de outras pessoas, para a conquistar, que sou hoje uma alma engatatona, daquelas que, se tivessem camisa, usavam-na aberta, para mostrar o decote, ou os pêlos do peito, o medalhão do signo, o fio de ouro herdado da avó.”


A alma apaixonada por Eva tinha como missão persegui-la e fazer de tudo para que ela se apaixonasse por ela. E foi isso que fez, entrou no Carlos, no Raul e em todos os homens que se aproximaram de Eva. Passou noites a vê-la dormir e até foi um anel que Eva gostava muito. Fez de tudo. Mas esse tudo não chegou. Não chegou para conquistar a rapariga complicada.



“ As pessoas dão-nos tanto, mas nunca sem uma esperança de retribuição da nossa parte. Julgam que têm direitos - mesmo os mais humildes, mesmo os mais desgraçados. Que cada carta merece uma resposta. Que a cada sacrifício corresponderá uma recompensa. Que um beijo leva necessariamente a outro. Que uma loucura pode provavelmente repetir-se. Podia nunca mais acabar. Mas estou cansada até do cansaço de me sentir culpada de aceitar o que me dão, quando não me dão sequer a oportunidade de recusar.”



As pessoas acham sempre que dar implica receber. Fazem sempre tudo a pensar no que as pode compensar. Somos egoístas porque pensamos apenas no nosso bem-estar. Somos egoístas porque achamos que tudo está pronto a servir-nos e que o mundo está á nossa disposição. Esperamos mais dos outros do que de nós e não somos capazes de aceitar quando nos negam algo que tomávamos como certo.



“As pessoas tem a mania de conversar, de fazer perguntas, de tentar conhecer-se umas às outras, de “chegar ao fundo” das coisas que lhes causam curiosidade, como se os corpos fossem terrenos e nós fossemos petróleo. Nós não estamos no fundo de nada. Estamos, simplesmente. Estamos nas mentiras e nos fingimentos, nas cerimónias e nas manias, tanto quanto nas coisas ditas profundas, que obcecam a humanidade, só porque são mais espectaculares.”


Procuramos conhecer até ao último pormenor, até à coisa mais insignificante e esquecemo-nos de dar importância aos pequenos grandes pormenores. Esquecemo-nos de avaliar as pessoas á nossa volta como um todo, preocupamo-nos mais em procurar pequenos pontos para criticar no bom ou no mau sentido.




4.4. Opinião sobre o livro



Na minha opinião este livro mostra-nos o outro lado das coisas, o mundo interior dos humanos.

Com a leitura deste livro apercebemo-nos de como é difícil fazer alguém gostar de nós e que nem sempre o que damos corresponde ao que recebemos. A alma daquele rapaz que vagueava por tudo e por todos e que por isso parecia tão livre, estava presa. Presa por estar apaixonada e por todos os seus comportamentos terem apenas um objectivo, fazer com que Eva se apaixonasse. Mas será que isto tudo valia a pena?!

Eva era uma rapariga que não sabia por onde caminhar, nem sequer tinha tempo para pensar que caminho deveria escolher. Para ela, a vida era apenas um momento, um momento em que tudo o resto não interessava. Cada lugar, cada pessoa, cada palavra e cada sentimento oferecia-lhe sempre algo novo, e era impossível para ela abdicar de qualquer uma dessas coisas. Era impossível prender-se a alguém e a alguma coisa. E ela sentia-se culpada pelo acidente do rapaz e por isso queria viver no escuro, queria apagar as luzes e já não ouvir quem estava à sua volta. Não gostava dela e por isso era impossível gostar de alguém. Não compreendia as suas atitudes e por isso era impossível compreender as atitudes de alguém. “ Ela nunca há-de amar alguém. Bem vistas as coisas, é um bocado monótono.”

São tantas as atitudes humanas que nos passam ao lado e são mais ainda aquelas que não avaliamos e que nos parecem insignificantes. Não paramos para pensar no que está por trás e não nos apercebemos que uma simples palavra, um simples sorriso ou um simples olham pode significar tanto. Pensamos em nós e no que estamos a sentir, esquecemo-nos, porém, de pensar no que os outros sentem com as nossas atitudes, com as nossas simples palavras e com os nossos caricatos comportamentos.



Magoar é mais atractivo ao ego do que perdoar, é mais fácil para o ser humano odiar do que amar.”




Adorei o livro pelo simples facto de o autor nos fazer pensar em atitudes que ninguém pensa e por nos mostrar o outro lado das coisas, outro ponto de vista. E mais uma vez adorei um livro de Miguel Esteves Cardoso !

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Re: " A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por Beatriz Franco em Sab 12 Dez 2009 - 9:49

Esqueci-me de mencionar de onde tinha retirado as informações sobre o autor, mas como me apercebi do erro, aqui está!

A biografia do autor foi retirada no site http://www.wook.pt/authors/detail/id/3915

E as outras obras do autor mencionadas foram retiradas do site http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Esteves_Cardoso

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Re: " A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por Filipe Azevedo em Qui 17 Dez 2009 - 17:16

18 valores.

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Re: " A Vida Inteira " de Miguel Esteves Cardoso

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