Vertentes
Seja bem vindo ao fórum Vertentes.

Pode usar o Facebook no seu "login".

Dom Casmurro- Machado de Assis

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sab 28 Nov 2009 - 9:32






Antes de ler o livro
1) Identificação do Livro
1.1 Título: Dom Casmurro
1.2 Autor: Machado de Assis
1.3 1.3 Editora: Três Livros e Fascículos Ltda.
1.4 Data de Edição: 1979

2) Escolha do Livro
2.1 Motivo que levaram à escolha do livro
Sou apaixonada pelos clássicos da literatura - e esse livro é um dos mais conhecidos, e é do esplêndido Machado de Assis. Já havia lido esse livro, e resolvi compartilhar aqui no Vertentes o meu simples resumo, de um dos livros mais fascinantes e enigmáticos de Machado de Assis.


Última edição por Jéehh Caroliine em Dom 29 Nov 2009 - 10:41, editado 3 vez(es)
avatar
Jéehh Caroliine
Frase complexa
Frase complexa

Número de Mensagens : 30
Idade : 25
Localização : Brasil
Data de inscrição : 07/03/2009
Pontos : 3022

Folha de personagem
Guardião secular: Alexandria

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sab 28 Nov 2009 - 9:33

Após a leitura do livro
1) Contextualização do autor
3.1 Alguns dados biográficos


Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, filho de Francisco
Machado de Assis, pintor de parentes carioca, descendente de escravos mulatos alforriados, e de sua mulher Maria Leopoldina, lavadeira portuguesa da ilha de São Miguel.
Teve uma infância difícil no morro do Livramento, onde foi criado. Perdeu a mãe bem cedo e depois a irmã mais nova. Quase mais nada se sabe de sua infância e da adolescência, exceto que teria sido coroinha na igreja Lampadosa. Sem ter recursos para freqüentar boas escolas, dedicou-se a estudar como por conta própria.
Ainda não havia completado 16 anos quando publicou o primeiro trabalho literário na revista Marmota Fluminense. Aprendeu os idiomas francês e inglês. Ingressos na Imprensa Nacional em 1856, como aprendiz de tipógrafo e lá conheceu o escritos Manuel Antônio de Almeida (autor de Memória de um Sargento de Milícias) tornaria protetor de Machado de Assis. Depois trabalhou como revisor e passou a escrever para vários órgãos de imprensa.
Foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial em 1867. Em 12 de Novembro de 1869 Machado de Assis casou-se Carolina a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã de seu chefe e amigo Faustino Xavier.
Incentivado pela mulher lançou seu primeiro romance Ressurreição em 1872. Pouco depois obteve a nomeação como primeiro oficial da Secretária de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. A carreira no serviço público foi até o fim da vida, seu principal meio de sobrevivência. Mas manteve sempre a atividade jornalística, como redator de noticias e também como ficcionista. Em 1881 saiu o livro Memórias Postulas de Brás Cubas, considerado o marco de início do realismo no Brasil.
Do grupo de intelectuais que se reuniram na redação da Revista Brasileira, surgiu à idéia de criação da Academia Brasileira de Letras, que Machado de Assis apoiou desde o início. Ao ser fundada a instituição, em 28 de Janeiro de 1897 foi eleito seu presidente. Dedicou-se a Academia de Letras até morrer. Morreu em 29 de Setembro de 1908 de câncer em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho.
Machado de Assis ocupa um lugar único na literatura brasileira. Em sua época, foi algumas vezes criticado porque se dizia que não abordava as grandes questões sociais e nacionais, críticas que foram abatidas em novas reavaliações. É considerado um dos grandes autores da literatura de língua portuguesa. Sua obra que serve de inspiração para muitos outros artistas, foi e continua sendo adaptados em trabalhos para a TV, o teatro e o cinema. Suas obras continua há impressionar muitos anos depois, por traçar um retrato crítico da sociedade brasileira de seu tempo e antecipar questões que parecem escritas para o leitor de hoje. É fácil perceber em seus livros a fina ironia e o senso de humor que não são deixados de lado nem mesmo quando se trata de assuntos graves.

3.2 Outras Obras do Autor
Poesia: Crisálidas (1864), Americanas (1875); Poesias Completas (incluindo ocidentais) (1901).
Romance: Ressurreição (1872); A Mão e a Luva (1874); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878); Memória Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).
Contos: Contos Fluminenses (1870); Histórias da Meia-Noite (1873); Várias Histórias (1896); Paginas Recolhidas (1899).
Teatro: Queda que as mulheres têm para os tolos (1861); Hoje Avental amanhã a luva (1861); Quase Ministro (1863); Os Deuses de Casaca (1865); Tu, só Tu, Puro amor (1881).
Algumas obras póstumas: crítica (1910); Crônicas (1937); Crítica literária (1937); Crítica teatral (1937); Crônicas de Lélio (1958).

4)Conteúdo do livro
4.1 Gênero literário-Romance narrado em 1º pessoa.

4.2 Assunto
A história é contada por Dom Casmurro, já velho e solitário, tentam recuperar, através da memória as lembranças queridas e marcantes de infância-adolescência.
O seu nome é Bento Santiago, o apelido Dom Casmurro, foi atribuído durante uma viagem de trem, um poeta magoado pela pouca atenção dada a seus versos deu lhe o apelido, (Casmurro-calado metido consigo). O apelido pegou e virou piada entre amigos.
O motivo de escrever o livro foi à necessidade de atar as duas pontas da vida e restaurar na velhice a adolescência, uma maneira de reencontrar consigo mesmo, revivendo suas memórias através do livro.
O narrador começa a contar o fato ocorrido em 1857, ao entrar na sala de visitas de sua casa. Bento ouve uma conversa comprometedora do agregado José Dias que alerta D. Glória (mãe de Bento) sobre a necessidade de colocar o menino logo no seminário antes que seja tarde. Pois a família vizinha deles tinha interesse em casa à filha Capitu com o Bento. D. Glória chora, e José Dias desculpa-se. José Dias um agregado da família há anos, gostava de superlativos, vestia-se cerimoniosamente, andava com passo calculado. D. Glória era viúva, moça ainda, por amor a seu marido escondia sua beleza. Moravam na Rua de Matacavalos ela o filho, e os dois irmãos também viúvos Cosme e Justina.
A promessa era que ela tendo perdido o primeiro filho, prometeu a Deus caso tivesse um segundo o faria padre. Bento cresce ouvindo-os dizer que seria padre. Até brinca de missa com a vizinha de Capitu, e repartem o doce que é a hóstia.
José Dias pareceu ter sentido a presença de Bento atrás da porta. Depois da conversa com Bento ficou meio confuso, mas chegou à conclusão de seu amor por Capitu. Foi até o quintal da vizinha (Capitu) que se assusta com ele e tenta esconder um rabisco no muro. Bento força a passagem e vê o nome de ambos escritos no muro. Não falam nada, ficam presos pelos olhos e pelas mãos. O pai de Capitu os surpreende. Bento fica sem ação, Capitu diz que eles estavam jogando siso, e fala ao pai para ir ver a mãe. Pádua o pai de Capitu, substituíra por dois anos o administrador da repartição pública onde trabalhava. Ao perder o cargo entra em crise e só consegue recuperar-se com o auxílio da esposa e de um dinheirinho ganho na loteria, o que lhe permitiu a compra da casa e a manutenção de uma pequena poupança para o futuro.
Bento relata a Capitu à conversa da sala, e a reação da menina é explosiva chama D.Glória de beata, carola. Bento assusta-se. Mais calma Capitu controla-se e elabora um plano detalhado para Bento conquistar a ajuda de José Dias, para escapar de ir ao seminário. Capitu tinha naquela época 14 anos era mais nova que Bento que tinha 15 anos. Ela era desenvolvida, inteligente, persuasiva.
Bento promete mil padre-nossos e ave-marias, porém sempre foi viciado em promessas não cumpridas.
Prima Justina percebe o amor de Bento e Capitu, e ajuda o menino como conquistar José Dias. Bento combina um encontro com José Dias para conversar. José Dias logo de início começa a criticar a família de Pádua e a elogiar a de Bento. Bento pede ajuda para não ir ao seminário e diz que prefere estudar leis em São Paulo. José Dias fica surpreso, mas logo se entusiasma com a idéia de acompanhar Bento à Europa e realizando seu antigo sonho.
Em uma manhã de Bento visita Capitu. Ele trança os cabelos dela, de repente ela derruba a cabeça pra trás, os dois se olham e acontece o primeiro beijo. A emoção faz os dois encostarem-se à parede trêmulos. D. Fortuna a mãe de Capitu aparece, a menina se recompõe, porém ele não consegue e foge para a casa. Trancado no quarto Bento fica repetindo “Sou homem!”. Depois vai a sala, e descobre que não ia ter aula de Latim, pois o padre Cabral, tinha sido nomeado tabelião de negócios eclesiásticos. Bento então foge para a casa de Capitu para repetir o beijo. Começa a forçá-la, mas ela não quer. De repente o pai dela bate a porta. Bento desconcerta-se e Capitu aproveita e beija-o rapidamente. Em seguida Capitu abre a porta, e sugere ao pai que vai cumprimentar ao padre Cabral, e sai à procura da mãe, abandonando Bentinho assustado.
Capitu depois vai cumprimenta padre Cabral. E ouve a conversa de D. Glória sobre a vocação para o sacerdócio, José Dias aproveita para começar suas insinuações. Bento nota a firmeza da mãe de não quebrar a promessa.
Na manhã seguinte perto do poço Bento e Capitu, comentam sobre a conversa que presenciaram. Ela fala pra ele decidir entre a mãe ou ela. Os dois brigam, e magoam-se. Depois acabam fazendo as pazes, e juram que se casariam haja o que houver.
Agora Dom Casmurro, começa a contar sobre sua passagem no seminário. A despedida foi ao anoitecer, com beijos e juramentos. Pádua chora ao despedir-se de Bentinho, e o menino da de recordação um cacho dos cabelos. Capitu aproveita a ausência para conquistar D.Glória.
Ao contar as memórias do seminário, relembra um colega muito elogiado na época por ter escrito um texto de elogio a Santa Mônica. Ezequiel de Souza-Escobar seu amigo do seminário. José Dias visita Bento e ambos fazem planos para a saída do seminário. Bento fica surpreendido com o comentário de José Dias, em que Capitu andava alegre, a esperava de casar-se com alguém da vizinhança. Bento sofre a primeira crise de ciúme, de muitas que irão suceder.
No sábado em visita a família, Capitu sugere que finjam alegria e dissimulem sentimentos para enganar a família. E Capitu já tinha conseguido conquistar D.Glória.
Pois D.Glória tinha adoecido, e Capitu fez de enfermeira para ajudar. Nervoso e emocionado, Bento pensa que a morte da mãe poderia livrá-lo do seminário. Logo depois se arrepende do pecado, e na missa de domingo perde perdão a Deus.
Outra crise de ciúmes de Bento teve, motiva pela trocada de olhares de Capitu a Dandy que, passava de cavalo a janela onde os dois conversavam. Bento mordido de ciúmes foge para o quarto onde se tranca no quarto e chora. José Dias nota a perturbação. Depois Bento aceita as explicações de Capitu, e fazem as pazes.
O melhor amigo de Bento no seminário era Escobar, o qual trocava suas confidências, e a paixão que tinha por Capitu. Bento visita a família em outro final de semana, a mãe lhe diz que Capitu esta na casa de Sancha e diz para ele ir até lá. Bento e Capitu ao se encontrarem namoram.
Escobar vai visitar Bento em sua casa, trocam confidências. Escobar mostra sua superioridade com cálculos e deixa D.Glória admirada, e sonda sobre a riqueza da família do amigo Bento.
Em mais uma das idéias de José Dias, propõe a Bento que ambos vá a Roma, solicitar ao papa dispensa da promessa. Capitu não gosta dos planos de José Dias. Escobar tem a idéia de D.Glória custear os estudos de um órfão, que tornaria o lugar de Bento e cumpriria a promessa de entregar um padre a Deus. E isso que foi feito.
Bento aos 17 anos sai do seminário, tornou-se um moço lindo. Cinco anos depois, forma-se em Bacharel em Direito pela USP. E Escobar com ajudar financeira de D.Glória firma-se no comércio, e torna-se intermediário das cartas de Bento e Capitu. Escobar casa-se com Sancha. Em março de 1865 casam-se Capitu e Bento, com a aprovação de todos da família e vão moram no Alto da Tijuca. Escobar e Sancha têm uma filhinha que em homenagem aos compadres dão o nome de Capitu.
Bento num baile teve mais uma de suas crises de ciúmes, e fala para Capitu revestir os braços. Numa noite Capitu distraiu-se durante a conversa com Bento, o que o irritou. Para desculpar explica que estava a pensar sobre o dinheiro que tinha conseguido economizar graça aos conselhos de Escobar.
Bento e Capitu conseguem ter um filho, dá-lhe o nome de Ezequiel, em homenagem a Escobar.
Ezequiel ao crescer é esperto como a mãe e cheio de curiosidade, e tinha mania de imitar os outros. O casal tinha uma vida pacata, mas Bento continuava ciumento e extremamente zeloso, raramente ia algum lugar sem ela. E Bento tinha a impressão que sua mãe tinha mudado seu comportamento em relação ao casal e o neto.
Escobar e Sancha mudam-se para o Flamengo. As duas crianças dos amigos crescem juntas. Uma noite após o jantar em casa dos amigos Bento e Sancha conversam a janela e trocam olhares e apertos de mão. No dia seguinte março de 1871, recebe a notícia de Escobar ter morrido afogado nadando em mar inadequado-Escobar adorava nadar. No velório Bento surpreende-se e assusta-se com o olhar de Capitu para o cadáver. Bento completamente perturbado não consegue ler a homenagem feita ao amigo. Sancha mudar-se para o Paraná.
Já em 1872, Capitu chama a atenção de Bento para a expressão esquisita dos olhos de Ezequiel. A criança com o passar do tempo virou o retrato de Escobar. Bento ciumento, como sempre foi, convenceu-se por si próprio da traição da mulher e passa maltratá-la. Pensando em suicidar-se, tinha vontade de matar Capitu e o filho com veneno. No escritório põe veneno no chá, não consegue tomar e não tem coragem de matar envenenado o filho. Porém acusa o menino de não ser seu filho, apesar das súplicas de Capitu, Bento resolver por fim no casamento. Viajam para a Europa, onde deixa Capitu e Ezequiel retornando sozinho. Simulam várias visitas a ambos para manter as aparências diante da família e dos amigos. Aos poucos morre D.Glória, José Dias, Prima Justina, Tio Cosme, e finalmente Capitu adoeceu e morreu. Ezequiel já arqueólogo surpreende Bento com sua visita inesperada. Ezequiel tinha muita saudade do pai, Capitu sempre falou muito bem de Bento o fazia o homem mais puro do mundo, admirava o pai. O reencontro foi difícil e complicado, Ezequiel era igual a Escobar parecia à ressurreição. Ezequiel o ama, e Bento se sente culpado por odiá-lo e amá-lo simultaneamente. Depois de seis meses, Ezequiel parte para uma expedição arqueológica ao Egito, onde morre de febre tifóide. Bento sente-se aliviado.
Retornando ao início do livro, Dom Casmurro como é chamado, não mais Bento. Velho solitário, triste, que tenta reconstruir a casa antiga, rememorando o passado, cultivando amigos e amigas passageiras, mas nenhuma o fez esquecer Capitu. E a certeza de que Capitu traiu-o não tem apenas a suposição feita pelo personagem-narrador, pois provas concretas de uma relação de Capitu com Escobar nunca se tiveram.


Última edição por Jéehh Caroliine em Dom 29 Nov 2009 - 10:49, editado 1 vez(es)
avatar
Jéehh Caroliine
Frase complexa
Frase complexa

Número de Mensagens : 30
Idade : 25
Localização : Brasil
Data de inscrição : 07/03/2009
Pontos : 3022

Folha de personagem
Guardião secular: Alexandria

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sab 28 Nov 2009 - 9:38

4.3 Citações Favoritas

“Enfim chegou à hora da encomendação e da partida (...) Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. (...) Capitu olhos alguns instantes para o cadáver tão fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...”

Esse é trecho que lança a dúvida ao leitor. De um lado a visão do narrador condiciona a opinião do leitor. Quando diz que Capitu “vencia a si mesma”, dando a entender que ela seria dissimulada. No entanto percebe-se que Bento também chorou pouco, por outro lado temos a situação em que Capitu, ao se ver livre do olhar de todos para despedir de seu amado. Não se pode confiar no narrados, seu relato é revestido de ódio e ressentimento.

“Deus é o poeta. A música é de Satanás (...) aprendeu no conservatório do céu.(...) Tramou uma rebelião, que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório.(...) Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia, mas que os outros- e caso para reconciliar-se com o céu-, compôs a partitura (...) Satanás suplicou (...) Deus (...) consentiu que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta (...)”
Esse trecho é a teoria do maestro Marcolini de que a vida é uma ópera, exposta a Bento num jantar. Deus, portanto é o poeta, Satanás é o maestro e Shakespeare um mero plagiador da obra. Teoria aceita pelo narrador, e resolve aplicá-la a sua vida passada. Concordo no quis a vida é uma ópera, e deve ser assim conduzida

“(...) razão os sonhos hão de ser assim tão tênus que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. À noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela (...) Quando eles moravam na ilha que Luciano lhe deu, onde ela tinha seu palácio (...) Os sonhos antigos foram aposentados, e os modernos moram no cérebro da pessoa.”
Neste trecho é feita uma alusão á Ilha dos Sonhos, descrita por Luciano de Samósata em sua História Verdadeira. Autor grego do séc. II D.C que muito influenciou Machado quando ao estilo, cetismo e sarcasmo.

“Retórica dos namorados dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu.(...) Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição (...) Traziam não sei que fluído misterioso e enérgico uma força que arrastava para dentro (...)”
Uma metáfora dos “olhos de ressaca” ressalta o poder sedutor de Capitu, que traga Bentinho como areia movediça. Os olhos dão também a idéia metonímica do que Capitu vai representar para o Bento. O poder avassalador que ela terá sobre o homem, conduzindo-o de acordo com os interesses dela.

“Olhos de cigana oblíqua e dissimulada”
Visão de José Dias, ao olhar de Capitu. Essa é uma famosa frase sobre Capitu que marcou muito a todos.

4.4 Opinião sobre o livro
Já li esse livro, e não me canso em ler outras vezes, pois é um livro muito agradável, e prende a atenção do leitor. Foi publicado em 1900 e é um dos livros da Literatura Brasileira mais traduzido para outros idiomas. Além de estar entre as grandes obras da Literatura Brasileira, é considerado como a obra-prima de Machado de Assis. Em Dom Casmurro, encontra-se um enigma não decifrado, a existência do adultério de Capitu, não havendo nenhuma cena que o comprove, permanecendo apenas como suspeitas. Sendo escrito em primeira pessoa, apresenta apenas a interpretação dos fatos presenciados pelo narrador-personagem, não apresentando em nenhum momento outras visões. A semelhança de Ezequiel com Escobar , o fato de Escobar ser muito amigo de Capitu, e sempre rondar a família levam o leitor a pensar que houve traição. Por outro lado à amizade de Capitu por Escobar não seria amor carnal, mas um amor fraterno, o seu amor sim é Bento que desde a infância luta por ele. Por outro lado Bento era uma pessoa muita ciumenta, podia ter imaginado os fatos. Várias teses acadêmicas já abordaram o assunto e nenhuma chegou a uma análise conclusiva. Então o que prevalece é a dúvida, como Machado de Assis quis.
O livro quando foi lançado era visto como o relato inquestionável de uma situação de adultério, do ponto de vista do marido traído. Depois dos anos 1960 quando questões relativas aos direitos da mulher assumiram importância maior em todo o mundo, surgiram interpretações que indicavam outra possibilidade a de que a narrativa pudesse ser expressão de um ciúme doentio, que cega o narrador e o faz conceber uma situação imaginaria de traição.
Capitu representa no livro duas categorias sociais marcantes da época, os pobres e as mulheres. É provocado polemicas em torno de seu caráter. Capitu é uma das principais personagens femininas da literatura brasileira.
O fato de o autor escrever o romance em capítulos curtos, com títulos explicados posteriormente e de utilizar citações de obras importantes e personagens históricos, em frase curtas, facilita a leitura e prende o leitor. E o autor põe em prática a metalinguagem (em que a própria narrativa trata de se auto-explicar). A metalinguagem tem um papel fundamental, dando um tom de muitas vezes jocoso, ou criando cumplicidade como o leitor, que ao invés de apenas ler passivamente, participa do próprio ato de narrar, ao servir de confidente do escritor, transcendendo o próprio texto.
Recomendo a leitura a vocês.
avatar
Jéehh Caroliine
Frase complexa
Frase complexa

Número de Mensagens : 30
Idade : 25
Localização : Brasil
Data de inscrição : 07/03/2009
Pontos : 3022

Folha de personagem
Guardião secular: Alexandria

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por Jéehh Caroliine em Sab 28 Nov 2009 - 9:45


Dom Casmurro na minissérie interpretado Michael Melamed




Adaptado para minissérie "Capitu" mudam o nome da obra.
avatar
Jéehh Caroliine
Frase complexa
Frase complexa

Número de Mensagens : 30
Idade : 25
Localização : Brasil
Data de inscrição : 07/03/2009
Pontos : 3022

Folha de personagem
Guardião secular: Alexandria

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por nilse martinez em Seg 7 Dez 2009 - 17:46

Parabéns pelo trabalho tão completo, excelente! Sua nota é 10 (20)

nilse martinez
Professora

Número de Mensagens : 240
Idade : 60
Localização : Brasil
Data de inscrição : 04/05/2007
Pontos : 3827

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por alexandre(hiro) em Dom 27 Dez 2009 - 10:57

Oláaaaaaa...
Primeiramente, gostaria de me desculpar a todos pela minha ausência nesse último bimestre em virtude de emprevistos pessoais que todos estamos sujeitos a sofrer na vida, e me desculpar consequentemente de não ter dado as notas nos respectivos trabalhos escolares!! Queria me desculpar à professora Nilse pela minha ausencia e prometer que isso não repetirá (espero)!!!
Queria parabenizar a todos que se formaram pela Escola Sentaro Takaoka, e desejar muito sucesso na vida, e àqueles que por alguma razão não foram promovidos e até mesmo àqueles que foram, espero ve-los ano que vem em mais um ano no Vertentes...
Me desculpem novamente, e Um ótimo ano novo para todos!!!
Felicidades e até mais...
avatar
alexandre(hiro)
"Best Seller"


Número de Mensagens : 496
Idade : 26
Localização : Brasil
Data de inscrição : 22/02/2008
Pontos : 5350

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Dom Casmurro- Machado de Assis

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum