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O Amante, Marguerite Duras

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Leitor O Amante, Marguerite Duras

Mensagem por Ana Rosário em Ter 15 Dez 2009 - 15:24

Antes de ler o livro



1. Identificação do Livro

1.1. Título

O Amante (L'Amant)
1.2. Autor(a)

Marguerite Duras
1.3. Editora
Idea y creación editorial, s.l.

1.4. Data da Edição
Setembro de 2008

2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro


Escolhi este livro porque a capa e o título despertaram a minha atenção. Além disso, a sinopse do livro suscitou-me alguma curiosidade, uma vez que me agrada imenso temáticas que retratem ambientes e sociedades diferentes.
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Ana Rosário
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Leitor O Amante, Marguerite Duras

Mensagem por Ana Rosário em Qua 16 Dez 2009 - 15:15

Após a leitura do livro

3. Contextualização do Autor

3.1. Alguns dados biográficos




Marguerite Donnadieu, nasceu em 1914 em Gia Dihn, Vietnam ( antiga Indochina), onde passou a sua infância e adolescência.

Após a morte do marido, em 1918, a mãe de Marguerite conseguiu uma pequena concessão de terreno no Camboja (então colónia francesa), mas o terreno mostrou-se incultivável e a sua família perdeu quase tudo com a chegada das enchentes. Esses dias na Ásia marcaram profundamente a vida de Marguerite.

Durante a adolescência , teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante, obra que vai ser referida, e O Amante da China do Norte).

Aos 17 anos, estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, em França, onde se formou, em 1935. Nessa altura, decide mudar o seu apelido Donnadieu por Duras, nome de uma vila francesa, terra natal do seu pai.

Em 1939, casa-se com o poeta Robert Antelme. Durante a Segunda Guerra, toma parte na Resistência Francesa à invasão nazi, filiando-se também ao partido comunista. Muito tempo depois, em Maio de 1968, participaria na acção revolucionária de estudantes e escritores da Sorbonne.


Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner (um homem 38 anos mais novo). Duras viverá com Yann até à sua morte, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marido Robert Antelme . Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, um grito literário sobre a pressão em que viveu.

Marguerite Duras morreu no dia 3 de Março de 1996, em Paris devido a um cancro na garganta.

Um dia após a sua morte o académico-jornalista Bertrand Poirot-Delpech escreveu no jornal Le Monde:"Quando esse pequeno pedaço de gente com grandes óculos e voz de final de comício participa da resistência ou faz política, quando acredita no comunismo e depois o execra, ela o faz com as suas entranhas, sem moderação nem prudência."


3.2. Outras Obras do(a) Autor(a)

* Os Imprudentes (Les Impudents) (1943);
* A Vida Tranquila (La Vie Tranquille)(1944);
* Uma barragem contra o Pacífico (Un Barrage contre le Pacifique) (1950);
* Hiroshima meu amor (1959-cinematografico);
* A dor (1985);
* Le Ravissement de Lol V. Stein (1964);
* Le Vice-Consul (1966);
*O Crime e a Loucura (Moderato Cantabile) (1958);
* L’Amante Anglaise (1967);
*Entre outros.


4. Conteúdo do Livro

4.1. Género Literário

Autobiografia.

4.2. Assunto (breve síntese)


Uma jovem adolescente de quinze anos conta-nos a relação que teve com o homem que lhe ensinou o significado do prazer. Um homem doze anos mais velho que ela, chinês, que se tornou o seu amante e que morria de amor por ela.

Tendo como centro a história da relação com o amante, o livro está também povoado de descrições da vida colonial, da pobreza, da riqueza. E claro, a relação com a família, nomeadamente a figura da mãe e do irmão mais velho. A instabilidade emocional da mãe (maníaco-depressiva), alia-se às dificuldades financeiras, que levam a família a mergulhar numa situação de “pobreza envergonhada” obrigando-a a viver em função das aparências com o objectivo de manter o estatuto até aí usufruído.

A situação familiar obriga-a a um amadurecimento rápido, despoletado pelo despertar sexual ocorrido antes de completar dezasseis anos. Por outro lado, é ela quem, desde o início, domina a relação com o homem mais velho. O namorado oriental da jovem adolescente é alguém extremamente rico, filho de um próspero empresário chinês, apaixonado, emocionalmente frágil – evidente no servilismo e na extrema devoção votada à família, dependente e de constituição física delicada. O conjunto de todas estas características proporciona-lhe o desprezo da família da namorada. Neste contexto, a autora aborda a dimensão do racismo europeu em relação aos orientais na Indochina e, também, o racismo dos orientais em relação aos colonos (exploradores).

Na história também é referido um outro relacionamento com a sua colega de quarto, por quem se sente atraída. Mas não é uma atracção correspondida. Para além de efémera, pois dura somente enquanto a orientação sexual da jovem não está ainda completamente definida.

4.3. Citações favoritas

“Aos dezoito anos envelheci. (…) Em vez de me assustar, vi operar-se este envelhecimento do meu rosto com o interesse que teria, por exemplo, pelo desenrolar de uma leitura. (… ) Conservei esse novo rosto. Foi o meu rosto.”


“Fala-me, diz que soube logo, desde a travessia do rio, que eu seria assim com o primeiro amante, que amaria o amor, diz que sabe já que o hei-de enganar e também que hei-de enganar todos os homens com quem virei a estar.”
“Ele arrancou o vestido, arrancou as calcinhas de algodão branco e leva-a assim nua até à cama. E depois volta-se para o outro lado na cama e chora. E ela, lenta, paciente, vira-o para si e começa a despi-lo. De olhos fechados, despe-o. Lentamente.”
“A pele é duma sumptuosa suavidade. (…) Não o olha.Toca-o. Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a cor dourada, a desconhecida novidade. Ele geme, chora. Está num estado de amor abominável.”

“E a chorar fá-lo. Primeiro há a dor. Depois esta dor é por sua vez possuída, transformada, lentamente arrancada, leva-a até ao gozo, abraçada a ela.”

“(...)E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca puderia deixar de a amar, que a amaria até à morte.”

4.4. Opinião sobre o livro

Gostei imenso do livro uma vez que me agradou a forma como Marguerite Duras descreve a sua vida e experiências. Toda a sua infância, as dificuldades económicas por que passou e a história de amor que viveu. É simplesmente excepcional, a forma como a autora conseguiu prender a minha atenção.
O livro é colorido, na sua maior parte, com as tonalidades da paixão; o discurso é, para além de emotivo, extremamente sensorial, onde predominam as sensações tácteis. O “clima” emocional entre os dois protagonistas confunde-se com o clima geográfico -o clima tropical da Indochina - (opressivamente quente, húmido e pesado), recriando um cenário onde se encontram dois amantes com uma nitidez quase que palpável.
Duras
conta-nos um relacionamento cuja intensidade atinge, por vezes, a obsessão, o desespero, pelo facto de não ser socialmente aceite e ver-se obrigado a permanecer confinado aos limites do apartamento onde se encontram.
Ao ponto do nome dele nem ser sequer mencionado ao longo do romance. É uma bela história de amor de um amante sem nome.



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Ana Rosário
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Leitor Re: O Amante, Marguerite Duras

Mensagem por Filipe Azevedo em Qui 17 Dez 2009 - 16:49

12 valores.

Spoiler:
http://hasempreumlivro.blogspot.com/2006/02/o-amante-de-marguerite-duras-difel.html , entre outras.

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