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Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

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Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

Mensagem por André Roque em Dom 7 Mar 2010 - 9:29

Antes de ler o livro


1. Identificação do Livro

1.1. Título

Uma Casa na Escuridão


1.2. Autor(a)
José Luís Peixoto


1.3. Editora
Quetzal



1.4. Data da Edição
7ª Edição (2009)





2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro



Nenhum motivo em particular, novamente.. Encontrei o livro, li o
pseudo-resumo na contracapa e achei interessante.

André Roque
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Re: Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

Mensagem por André Roque em Seg 22 Mar 2010 - 17:10

Após a leitura do livro


3. Contextualização do Autor




3.1. Alguns dados biográficos


José Luís Peixoto é um escritor e dramaturgo português licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão). Nasceu em 1974
em Galveias, em Ponte de Sor. As suas obras, de ficção e poéticas, foram traduzidas em várias línguas e são estudadas tanto a nível de Universidades Nacionais como estrangeiras. Recebeu o prémio literário José Saramago (2001) e o seu romance “Nenhum Olhar” foi incluído na lista do Financial Times como dos melhores livros publicados na Inglaterra.



3.2. Outras Obras do(a) Autor(a)


“Nenhum Olhar”


“Cemitério de Pianos” (recebeu o prémio Cálamo Otra Mirada)


“Morreste-me”
"Antídoto"
"Cal"


Poesia:
"A Criança em Ruínas"
"A Casa, a Escuridão"
"Gaveta de Papéis"



Teatro:


“Anathema”




4. Conteúdo do Livro





4.1. Género Literário



Romance






4.2. Assunto (breve síntese)


“Uma Casa na Escuridão” conta a história de um homem escritor (narrador) que vive numa altura bastante difícil, numa casa com a sua mãe e a sua escrava. Ganhou os traços de escritor com o seu pai, escritor também no seu tempo, mas que no início da história já está morto. Tudo começa com uma imagem que o escritor tem enquanto tentava adormecer. Ao ver a escuridão e os pontos na escuridão, ele tenta juntá-los e formar assim uma imagem. A imagem que lhe surge é a de uma mulher, a mulher mais bonita que ele alguma vez tinha visto. Era perfeita. Começou então a descrevê-la na suas folhas, escrevendo ocasionalmente. Descreveu-a pormenorizadamente, tal e qual o que via e o que sentia ao imaginá-la. Eventualmente, ela tornou-se “parte dele”, estando sempre presente com ele. Ele recebe então a visita de um velho amigo, o princípe de calicatri, que lhe avisa que as invasões vão chegar. Mas o escritor não se importa com isso, pois tem tudo o que sempre quis nas suas folhas. É então que ele decide levar o princípe ao cemitério, para lhe mostrar o sítio onde os pais deste se encontravam. E é nesta viagem que o escritor vê a imagem que tinha na cabeça, a mulher, numa lápide. Ele fica devastado, pois conclui que anda a imaginar mortos. Entretanto, as invasões chegam (não são bem definidas que tipo de invasões são, apenas são mencionados “soldados”). Ao entrarem na casa do escritor, todos os presentes são mutilados ou semelhante (o escritor perde todos os membros, a mãe fica sem audição, a escrava torna-se brinquedo sexual dos soldados, o princípe fica com um buraco enorme onde antes estava o seu coração e um violinista que lá estava a fazer espectáculo perde as mãos).

Os soldados controlaram assim a casa do escritor, e ao longo do tempo, o escritor vai descrevendo a passagem dos dias, tristes e incolores, como se, por exemplo, a constante violação dos soldados à escrava fosse banal. Com tanta tristeza e dor, a imagem formada na cabeça do escritor da mulher apaga-se lentamente, até se dissolver completamente. O escritor visita então com alguma frequência a sua campa (com permissão dos soldados e levado ou de bicicleta ou de carro pelo princípe), na tentativa em vão de recuperar a imagem do que ele achava ser o amor. É então que ele se apercebe que está a “apodrecer”, literalmente. Ele e todas as personagens (descrita como peste, é possível que fosse lepra). A sua casa, agora controlada pelos soldados, encheu-se rapidamente de mulheres e crianças (filhos e mulheres do “nobre” chefe das tropas). As crianças brincam com ele, até que estas acabam por apanhar lepra. Eventualmente, a sua mãe, depois de várias tentativas de suicídio, acaba mesmo por se matar, deixando o escritor devastado. Ele começa então a relacionar-se mais com as crianças, pois elas são felizes e inocentes, dando assim esperança de que tudo irá correr bem para ele. No entanto, quando os soldados descobrem que as crianças têm lepra, são todas mortas por espadas à frente das mães e do escritor, o que causa um enorme impacto. É então que todos decidem sair dali, pois a mágoa é enorme. O princípe de calicatri e a escrava, que desenvolveram um amor mútuo, fogem em direcções opostas, deixando o escritor, sem qualquer membro, dentro da casa, agora abandonada até mesmo pelos soldados. Com o passar do tempo, o escritor começa a sentir a peste a infiltrar-se cada vez mais, e a imagem do seu amor continua desaparecida. Então, a casa começa a arder (provavelmente os soldados) e é no meio das chamas, mesmo antes da sua morte, que a mulher lhe aparece e lhe confirma que o que ele sentia era realmente o amor verdadeiro.




4.3. Citações favoritas (se necessário, explicadas no
contexto)



“Quero morrer” – A expressão é repetida por 2 páginas inteiras. É o momento em que o escritor acorda do choque para se encontrar estendido na cama sem qualquer, olhando para o chão e vendo o seu braço.


“O sol entrava no quarto e a sua luz humilhava-nos” – A frase aparece depois da morte da mãe do escritor. As personagens acordam para o que para o mundo é mais um dia “banal”, mostrando assim desprezo para o sofrimento e mágoa das personagens.



4.4. Opinião sobre o livro


A história em si é, na minha opinião, um pouco fraca. No entanto, o livro é bastante viciante. O interessante no livro não é a história, mas sim a forma como ela está descrita. Os pormenores são enormes, e realmente é possível sentir-se o ambiente que se faz viver naquele mundo. Além disso, a forma detalhada de descrever as coisas, até as mais sangrentas (houve uma cena em que o narrador descreve claramente a forma como os soldados pegam em gatos, colocam-nos em sacos e batem com os sacos em muros, escorrendo sangue pelos muros e ouvindo-se lentamente as vozes esganiçadas dos gatos a desaparecerem) realmente ajudam a nos colocar dentro do mundo. Chega a ser bizarro, pelo facto de existirem personagens que andam sem coração e que tentam reconfortar outras pelos braços, entre outros exemplos. O impacto causado no leitor por tantas descrições pormenorizadas das situações é enorme.

Resumindo, penso que não é um livro para quem esteja à procura de uma história intrigante e espectacular, mas para quem esteja à procura de sentir coisas novas com um livro algo sangrento.

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Re: Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

Mensagem por Filipe Azevedo em Qua 24 Mar 2010 - 18:07

Registado, mas a aguardar nota.

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Re: Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

Mensagem por JoanaSantos em Sex 26 Mar 2010 - 16:53

Bem, acho que não foi apenas o autor que descreveu detalhadamente o livro...na minha opinião o ponto forte da tua apresentação foi a tua opnião sobre o livro, notou-se a tua sinceridade (e a bela capacidade de descrição, a parte dos gatos ).

“Quero morrer” – A expressão é repetida por 2 páginas inteiras.

A sério? :O

Pareceu-me um livro um pouco macabro, mas talvez seja isso que o torne interessante, por ser tão diferente do habitual...
Penso que mereces 14valores.

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Re: Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

Mensagem por André Roque em Sab 27 Mar 2010 - 14:58

É mesmo macabro! E o pior é que com tantos detalhes não se consegue evitar de imaginar claramente as situações, então acabam por surgir nas nossas mentes imagens como essa que descrevi.

E sim, é a sério xD A expressão é _literalmente_ repetida umas centenas de vezes em 2 páginas, tudo seguido. É o fim de um dos capítulos, penso que do 2º.

É mesmo um livro diferente do que estava habituado a ler Surprised

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Re: Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

Mensagem por Filipe Azevedo em Qua 21 Abr 2010 - 13:49

É uma apresentação muito expressiva. Mas também muito desértica. 15 valores

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Re: Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto

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