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Quem ama não dorme, de Robert Schneider

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Quem ama não dorme, de Robert Schneider

Mensagem por Ana Rita Carpinteiro em Dom 5 Jun 2011 - 10:00

Ficha de leitura





Antes de ler o livro

1. Identificação do Livro

1.1. Título: Quem ama não dorme

1.2. Autor: Robert Schneider

1.3. Editora: Temas e Debates

1.4. Data da Edição: Janeiro de 2001





2. Escolha do livro



2.1. Motivos que levaram à escolha do livro

Escolhi o livro porque me pareceu um livro com uma leitura diferente dos livros que costumo ler. Para além do motivo referido, a minha madrinha conhecendo o meu gosto de leitura e sabendo a minha intenção de mudar, aconselhou-me.



Após a leitura do livro

3. Contextualização do Autor



3.1. Alguns dados biográficos:

Robert Schneider nasceu em Bergenz, Áustria, em 1961. Cresceu numa pequena povoação isolada no coração das montanhas. Aprendeu música em Viena, mas admitindo-se incapaz de compor, abandonou os estudos musicais e decidiu começar a escrever, regressando à aldeia da sua infância.

Os textos e livros que escreve demonstram claramente o gosto musical e a influência do projecto inicial de se exprimir através da música, uma vez que constitui uma referência vital nas suas obras.

Este livro é o seu primeiro romance e teve críticas bastante positivas, retirando-o do anonimato e dando-lhe entrada nas letras mundiais.

3.2. Outras Obras do Autor:

Os seus primeiros escritos são no âmbito do teatro e do cinema. Sendo o seu primeiro romance Quem ama não dorme. O segundo romance deste autor é Die Luftgängerin, foi publicado em 1998. Schlafes Bruder é outro livro que não esta traduzido em português.



4. Conteúdo do Livro



4.1. Género Literário: Romance

4.2. Assunto (breve síntese):

Johanes Elias Alder, a personagem principal do livro, nasceu diferente. Os olhos amarelos reluzentes que tinha aterrorizavam a população da sua aldeia, “Eschberg (uma aldeia nas montanhas do Vorarlberg médio) ”.

Ao longo do livro seguimos a estranha forma de viver e de amar de Johanes, a estranha maneira dele aceitar mas também de renunciar, seguimos portanto, a vida de um músico genial que o mundo perdeu por não dar oportunidade aos grandes artistas. Vemos o destino de Elias impossível de fugir e que já estava traçado, uma vez que os seus olhos amarelos fizeram-se acompanhar de um enorme talento musical.

Este talento oculto de Elias foi revelado na igreja da sua povoação através do órgão que, quando era tocado pelas pontas dos dedos de Elias, enfeitiçava todos com a sua maravilhosa e indescritível música.

As pessoas sentiam inveja, ignorância e indiferença pelo grande talento de Johanes, pela atenção soberba que os professores lhe prestavam, etc., surgindo brigas avarentas e invencíveis casmurrices. No entanto, Johanes não se importava com os sentimentos invejosos da população, mas acarretava com a injustiça da sua vida, acusando Deus de a originar. Alder revoltava-se com o dom para a música que Deus lhe deu e com o amor eterno que sentia por Elsbeth, que seria aceitável se esta não fosse sua prima.

Elias queria ter força para não desejar Elsbeth enquanto existisse, mas Deus e os santos não o estavam a ajudar, e queria mostrar que o autêntico amor não procura a carnação mas entrega-se espiritualmente. Não conseguindo seguir estes desejos, provando que era capaz de viver em comunhão com os seus sentimentos incestuosos, decidiu por termo à sua vida, dormindo para sempre, na esperança de que assim iria enganar o seu destino!

4.3. Citações favoritas:

· Principiava, então, o milagre. Nesta tarde, aos cinco anos de idade, Elias ouviu o universo. (…) Elias não ouvia simplesmente, mas via os sons. (…) Penetrou centenas de milhas de sons de profundas paisagens, viajou centenas de milhas de sons de imensas paisagens. Ao fundo sonoro produzido pelos ruídos do seu próprio corpo sobrepunham-se, a crescente velocidade, cenários sonoros ainda mais violentos. Cenários de magnificência e temeridade inauditas. Tempestades de sons, borrascas de sons, mares de sons, desertos de sons.”



(Queda de Elias na neve, quando tinha cinco anos. Permaneceu deitado na neve e ouvi todos os sons do mundo.)



· “Pensava introduzir o coral da seguinte forma: primeiro, acordes graves de bordão representariam o sofrimento das três Maris, junto do sepulcro vazio. Depois, entraria o baixo com uma linha em cânone, construída sobre segundas, ilustrando o pesaroso rolar da pedra. A terceira parte traria, por fim, através de jubilosas passagens ascendentes e acordes de fanfarra, a certeza da verdadeira ressurreição de Cristo. Neste delírio triunfante, misturava-se a melodia do coral, e o coral transformava-se uma vasta torrente de harmonias incrivelmente ousadas. Esta ousadia harmónica, que era a concretização o inesperado e do inacreditável, pretendia mostrar aos cristãos que ainda duvidassem que Cristo realizara o indizível: a ressurreição da morte. Que música genial!”



(Prelúdio concebido mentalmente por Elias nos festejos do milagre da ressurreição de Jesus Cristo).



4.4. Opinião sobre o livro

Este romance possui um estilo realmente genial, levando-me a criar deste a primeira frase expectativas muito elevadas, isto porque, ler a primeira frase é saber como morre Johanes Alder, o protagonista.

O livro alerta-nos para as injustiças que há no mundo. Aqui a injustiça que existe perante o músico remete-nos para todas as outras que são criadas impossibilitando maravilhosos seres e inteligentes artistas, quer sejam poetas, escultores, pintores, pensadores, ect., a alcançarem o sucesso. Quantos artistas terá o mundo perdido? Quantos existiram e continuam a existir com as assas cortadas, impedindo-os de voar?

Concluindo, Quem ama não dorme, permiti meditar sobre questões como as escritas em cima e reflectir sobre a genialidade e complexidade do ser humano, ao mesmo tempo que se vai tendo conhecimento do terrível destino de um músico, talentoso e diferente de todos os outros, que decidiu fechar os olhos para sempre.

Ana Rita Carpinteiro
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Re: Quem ama não dorme, de Robert Schneider

Mensagem por Filipe Azevedo em Dom 12 Jun 2011 - 11:44

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