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Não digas nada à mamã - Toni Marguire

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Não digas nada à mamã - Toni Marguire

Mensagem por maryventura em Ter 4 Out 2011 - 14:19

1. Identificação do Livro
1.1 Título :
" Não digas nada à mamã "
1.2 Autor:
Toni Maguire
1.3 Editora:
Edições ASA
1.4 Data de Edição:
Setembro de 2008

2. Escolha do Livro
2.1 Motivos que levaram à escolha do livro:

Houve vários motivos que estiveram na base da escolha deste livro. A minha paixão por histórias verídicas em conjunto com a atractividade do livro e também por recomendação de familiares que já tinham lido o livro.

3. Contextualização do autor.
3.1 Alguns dados biográficos
Toni Maguire chama-se na realidade Antoinette. Nasceu na Inglaterra onde viveu os primeiros anos da sua infância conjuntamente com a mãe e avó materna. É filha de um militar que após se retirar decidiu emigrar com a família, deste modo Toni cresceu na Irlanda do Norte. Actualmente a sua idade encontra-se na casa dos sessenta e Toni vive entre a Grã-bretanha e a Cidade do Cabo em África do Sul.

3.2 Outras obras do Autor:
Toni Maguire realizou outras obras, embora apenas mais uma esteja traduzida em português. São elas então : "Quando o papá voltar" ; "Can anyone help me?" ;" Helpless"; "Don’t you love your daddy ? "

4. Conteúdo do livro:

4.1 Género literário:
Este livro pertence ao género narrativo.

4.2 Assunto abordado:
Este livro é de carácter auto-biográfico, relatando a infância sofrida da autora, que foi molestada e violada pelo pai desde os seis aos catorze anos, altura em que engravidou e foi submetida a uma interrupção de gravidez que quase lhe colocava fim à vida. Relata o desenvolvimento desta criança que cresceu nesta terrível realidade até que anos mais tarde, a sua mãe fica doente e ela é obrigada a reencontrar-se com a familia que lhe causou tanto sofrimento. Durante a obra, há uma abordagem à questão que se pôs a Toni durante vários anos, seria a sua mãe também culpada e iria ela admitir o seu erro?

4.3 Citações favoritas:

Uma das minhas citações favoritas é “ Não digas nada à mamã Antoinette” , pois demonstra plenamente o mau carácter daquele homem que tem uma tendência evidente para fingir alguém que ele não é, em qualquer situação, tanto que até para a única pessoa que o conhecia verdadeiramente ele finge, ao fazer este pedido de forma tão delicada e gentil. Quando ele utiliza a palavra mamã, finge uma familia unida e rica em amor que na verdade não existe devido à existência deste homem.

Outra citação que é das minhas favoritas é: “Hás-de descobrir, como sei
que já descobriste, que a vida não é justa. As pessoas vão culpar-te, como já
fizeram (…) a culpa não é tua. Não fizeste nada de que devas envergonhar-te.” Pois é a frase que de algum modo, vai motivando a pequena Antoinette a lutar pela sua vida e pela sua felicidade.

4.4 Opinião sobre o livro:

“Não digas nada à mamã” é o título de uma obra verídica que todos os leitores desejariam que assim não fosse. Esta obra relata-nos promenorizadamente a infância de Antoinette, que se iniciou feliz, mas no seu desenvolvimento foi-se tornando numa realidade terrível, devido ao pai que a molestou e violou e a mãe que sabia de toda esta terrível realidade e perferia continuar a amar o homem que julgava conhecer.
É uma obra que se vai situado entre analepses à infância de Antoinette, e o presente da doença da mãe.Possuí em si, um sabor agridoce a suspense ao longo do livro de um modo equílibrado. A descrição presente na obra é a necessária para nos fazer viver esta história, sofrer com Antoinette e também ter algumas emoções quanto ao resto das personagens.
A história é emocionante e quando a estamos a ler, quase conseguimos viver, apesar de ser ao de leve, o que Antoinette viveu. Nas mãos do pai, não recebia amor muito pelo contrário, actos que supostamente são fruto do amor, vinham agora de um desejo carnal e com um objectivo evidente ter prazer através do sofrimento. As relações familiares, no seio de uma familia que supostamente era feliz e unida, nada mais eram, do mêra obrigação e engano. A mãe permanecia apaixonada por alguém que não existia, a filha amava e julgava ser amada pela mãe que apenas pensava em viver o seu amor platónico e o pai era aquele que fingia com facilidade relacionamentos e que descarregava na filha inocente a fúria que por algum motivo sentia, apenas para ela, ele era verdadeiro, apesar da sua tendência para fingir quando lhe pedia docemente “Não digas nada à mamã” .
Esta história permite-nos perceber melhor a sociedade de algumas gerações atrás, ao ver a atitude das pessoas perante o grave problema que Antoinette estava a enfrentar e nota-se uma grande transformação da mentalidade das sociedades. Antoinette foi criticada pela sociedade e acusada de compactuar e seduzir o pai, quando na verdade, ela sofria ameaças e maus-tratos físicos e psicológicos, para que não contasse a ninguém. Nos dias de hoje, casos como este Antoinette, teria várias ajudas e o seu pai seria condenado e teria uma medida de coação para que não se aproxima-se mais da filha. É, então, possível construir-se uma crítica à sociedade que condenava esta vítima inocente que sofreu calada durante vários anos, ao ler esta história .
Além do factor social, é possível também ver-se retrato o progresso da ciência nesta obra, pois um interrupção de gravidez na altura era um procedimento altamente perigoso, que quase pôs fim à vida de Antoinette, o que nos dias de hoje é um procedimento normal e comum.
Deste modo, a história é atractiva e emocionante, faz-nos desejar saber mais, e por isso se sente a falta de alguns detalhes, tais como, saber como ela conseguiu ir para Inglaterra, como se afastou da familia, o encontro com outras pessoas e a atitude delas face ao passado dela entre outras. Contudo penso que estes detalhes estarão expostos nos outros livros da autora. Além de ser uma boa história, é uma excelente obra detoda de equílibrio, e é também um bom instrumento de avaliação de mentalidades, da sociedade e dos seus progressos.



maryventura
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