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Análise: "Bel-Ami", Guy de Maupassant

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Leitor Análise: "Bel-Ami", Guy de Maupassant

Mensagem por Rita Pereira em Ter 13 Dez 2011 - 16:42

Antes de ler o livro

1. Identificação do livro

1.1. Bel-Ami
1.2. Guy de Maupassant
1.3. Book.It
1.4. Março de 2011

2. Escolha do livro

2.1. Resolvi escolher este livro devido ao gosto e à curiosidade que tenho em ler autores e histórias consagrados(as) da Literatura mundial, aliado ao facto de ter ouvido falar do filme homónimo de 2011.

3. Contextualização do Autor

3.1. Guy de Maupassant foi um escritor francês pertencente à corrente realista (e muito particularmente à emergente corrente naturalista) que viveu e faleceu na segunda metade do século XIX. Fortemente influenciado pelo “fundador” do Realismo e seu mestre, Gustave Flaubert, Maupassant é particularmente conhecido por ter escrito mais de 300 contos e cinco romances (entre eles Bel-Ami, obra) no curto espaço de dez anos.

3.2. Outras obras do autor: De entre os 300 contos, destaca-se Boule de Suif (numa colectânea onde também constava um conto por Émile Zola, notável autor naturalista) e também pelos seus romances, entre eles Une Vie e o psicológico-realista Pierre et Jean.

4. Conteúdo do Livro

4.1. Romance realista com sólidas influências naturalistas.

4.2. O narrador heterodiegético relata a história de vida de Georges Duroy, um oficial do exército devolvido à vida civil que inicialmente trabalha como empregado de escritório nos caminhos-de-ferro. Este, através do seu amigo e ex-camarada, Charles Forestier, anseia pertencer à classe alta de Paris nos anos 80 do séc.XIX. Para isso, o charmoso e galanteador homem com “um encanto irresistível no bigode” conta também com a ajuda da mulher do amigo, Madeleine, que para além de o "auxiliar" na escrita dos textos para o jornal “Vie Française”, o apresenta às pessoas mais influentes da sociedade burguesa da altura. Entre elas está a resoluta Clotilde de Marenne, a conservadora Virginie Walter e a sua inocente filha Suzanne, com quem desenvolverá, ao longo da trama, relações íntimas distintas e complexas que originarão a ascensão social que Georges, futuro Du Roy de Cantel, sempre haverá ansiado e aspirado.


4.3. Vou passar a dar uma explicação das citações que considero, de certa forma, mais filosóficas e consequentemente mais relevantes, visto que sem ela penso que o leitor sem o conhecimento completo da obra não saberá interligar a história ao verdadeiro significado das palavras.
Contudo, sugiro também que o mesmo as leia uma primeira vez, sem a explicação e uma segunda, já com algum conhecimento básico da obra, pois é sempre interessante ter em conta as múltiplas perspectivas que, com base na personalidade e experiência do indivíduo, se dá a uma citação Wink


“Pensava nas moscas que vivem algumas horas, nos insectos que vivem alguns dias, nos homens que vivem alguns anos, nos mundos que vivem alguns séculos. Que diferença havia, no entanto, entre uns e outros? Algumas auroras a mais, eis tudo.” (Pág. 158)

Este pensamento de Georges Duroy surge aquando da morte do marido de Madeleine, Charles Forestier. O (já) jornalista, medita e apercebe-se da evidência da efemeridade que é a vida, não só do Homem mas a de todos os seres vivos que “jamais regressam”, sejam “insecto, homem ou planta.”

A genialidade de Maupassant é aqui representada na enumeração/gradação crescente do tempo – das horas que fazem parte dos dias; os dias que compõem os anos e dos anos que constroem os séculos: a única diferença entre os seres acima referidos é precisamente o tempo que vivem; mais ou menos, “um ser jamais regressa” e acaba inevitavelmente por se transformar no “nada”.


“Isto porque as palavras de amor, que são sempre as mesmas, tomam o gosto dos lábios de onde saem.” (Pág. 250)

Esta descrição psicológica que o narrador faz da personagem principal está relacionada com o romance duplo que Georges Du Roy de Cantel simultaneamente mantinha com Clotilde de Marelle (ou "Clo") e com a mulher do patrão, Virginie Walter e vem na sequência de dois encontros que teve no mesmo dia com as duas.
Naquele momento, o Bel-Ami - nome dado pela amorosa infante Laurine, filha de Clo - já desprezava completamente a senhora Walter, vendo-a como uma mulher “madura e dramática” que pretendia divorciar-se do actual marido para ficar com o amante; já Clotilde de Marelle simbolizava apenas um caso para o galã e vice-versa. Assim, as mesmas “palavras de amor” vindas da boca da mulher com quem se sentia bem eram carinhosamente recebidas, ao contrário das da mulher do patrão, proprietário da “Vie Française”.

4.4. Bel-Ami (dentro do pouco conhecimento que tenho de obras desta envergadura) é sem dúvida um dos melhores livros que já li. Embora, tal como na obra “Os Maias”, também pertencente à corrente realista, tenha como plano de fundo a sociedade (francesa) da época, distingue-se claramente desta por ser um livro leve que pela sua escrita e calculismo do personagem principal deixa o leitor constantemente maravilhado e surpreendido sem saber o que irá acontecer a seguir (característica, segundo dizem, das grandes obras).
Assim sendo, só posso recomendar a leitura de Bel-Ami, obra completamente aliciante e viciante que a única vantagem que trás é enriquecer a cultura (e boa-disposição, saliente-se Very Happy) de quem o lê.

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Leitor Re: Análise: "Bel-Ami", Guy de Maupassant

Mensagem por Filipe Azevedo em Qua 14 Dez 2011 - 15:21

175 pontos

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