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Contos Misteriosos e Fantásticos, de Edgar Allan Poe

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Leitor Contos Misteriosos e Fantásticos, de Edgar Allan Poe

Mensagem por André R. em Qui 3 Maio 2012 - 14:19

FICHA DE LEITURA PORTUGUÊS

Antes de ler o livro

1. Identificação da Obra

1.1. Contos Misteriosos e Fantásticos (contém 7 contos)
1.2. Edgar Allan Poe
1.3. Planeta Editora
1.4. janeiro de 2007

2. Escolha do livro

2.1. As leituras desejam-se inovadoras e imprevisíveis. Selecionei este livro tendo por base uma recomendação e a sempre relevante informação literária de ser considerado um clássico, da autoria de um excelente e conhecido autor. A estas cláusulas juntou-se o meu interesse por literatura de suspense e mistério, pelo que esta obra de Edgar Allan Poe se assumiu como ótimo exemplar de iniciação a estas temáticas.


Após a leitura do livro

3. Contextualização do Autor

3.1. Edgar Allan Poe nasceu em Boston, em 1809. Foi criado por pais adotivos oriundos de Richmond, na Virginia, EUA, após a morte dos progenitores biológicos, ambos atores.
Em 1827, altura em que celebrou a maioridade, conheceu a sua primeiríssima publicação de uma coletânea de poemas, tendo sido inspirado e incentivado a redigir, durante o período em que exerceu serviço militar, o conto “Metzengerstein”.
Fazendo uso das suas aptidões multifacetadas, Edgar Allan Poe chefiou diversos cargos laborais na qualidade de crítico e editor em diferentes publicações americanas, o que lhe granjeou a modesta atenção do mundo da crítica, apesar de a sua obra não ter conquistado grandes aplausos em vida. Não obstante, exerceu muita influência nos escritores dos séculos XIX e XX, acima de tudo como narrador de imaginação.
Poe vem a falecer, de forma enigmática, em 1849, fazendo jus à dimensão tensa e dramática das suas produções.

3.2. Os aclamados contos de Edgar Allan Poe chegaram às prateleiras das livrarias sob a mão de cerca de trinta publicações, tendo sido compilados, ocorrido o seu falecimento, em “Contos Misteriosos e do Imaginário”.
Da vasta gama de produções assinadas pelo autor contam-se romances emocionantes e misteriosos, como “O Escaravelho Dourado” e histórias de horror como “O Poço e o Pêndulo”. Poe escreveu mais de 60 contos, todos eles sobre o medo, a expetativa ou o mistério. Destaque para os mais conhecidos, seja o “O Gato Preto, Sem Fôlego” e “Os Crimes da Rua Morgue”, sem esquecer, claro está, a extensa obra de ficção intitulada “A Narrativa de Arthur Gordon Pym” e ainda a poesia e a crítica literária, entre muitos outros que remeto para a curiosidade de leitores vindouros.

4. Conteúdo do Livro

4.1. As obras do autor em análise enquadram-se na literatura fantástica e de ficção-científica.

4.2. O conto descreve um cenário de flagelo: um país é assolado pela peste. Passada na época medieval, a ação centra-se numa esplendorosa festa que um príncipe prepara numa abadia luxuosa, para escapar à doença.
A população atingida pela peste padece nas vielas manchadas de sangue, e os poucos que ainda não estão infetados receiam prestar auxílio aos doentes.
Mas o Príncipe Próspero, o soberano da localidade, alheia-se da peste e dá ordens para cavaleiros, damas, artistas e músicos se resguardarem na sua abadia, garantindo a todos entretenimento até passar o pior. Após cinco ou seis meses, é preparada uma festa excecional: um grandioso baile de máscaras.
Numa sala com sete câmaras, decoradas cada uma com uma tonalidade diferente, desfilam trajes ousados e brilhantes, num baile e banquete de uma beleza única. No entanto, um relógio de ébano fazia questão de, a cada hora, tocar as suas badaladas atemorizadoras, um som estranho e bizarro que interrompida por instantes toda a festa. Os músicos paravam de tocar e a multidão suspendia o baile.
Ao chegar a meia-noite, o som assustador do relógio de ébano arrastou-se pelas doze badaladas, a festa susteve o seu entusiasmo e foi nesse momento que surgiu no salão um indivíduo alto, vestido de preto e disfarçado com uma máscara de cadáver. O estranho irrompeu pelo salão e defrontou o Príncipe. Em contra-ataque, este pegou numa faca e lançou-se para cima do indivíduo que acabou por matá-lo. O corpo do príncipe ficou estendido no chão, ao lado dos farrapos do intruso.
Quando, finalmente, os cortesãos ganharam coragem de acudir ao monarca, repararam que ao lado do seu cadáver não se encontrava o outro corpo. E então perceberam que fora a Morte Vermelha em pessoa que invadira a festa, sob o brilho e exuberância daquela Corte arrogante.
Um a um, os cortesãos foram caindo mortos pelos corredores manchados de sangue. O relógio de ébano parou de tocar quando o último folião sucumbiu. “Então, a Escuridão, a Decadência e a Morte reinaram incontestadas sobre todas as coisas”.

4.3. Neste campo, o último parágrafo do conto merece um especial enfoque. Leia-se, abaixo:
“Foi então que perceberam que era a própria Morte Vermelha que se encontrava naquela sala. Entrara como um ladrão, a coberto da noite. Um a um, [os cortesãos] caíram nos corredores orvalhados de sangue onde antes se divertiam, morrendo ao caírem. O relógio de ébano parou de bater quando o último folião deixou de respirar. E as chamas das tochas extinguiram-se. Então, a Escuridão, a Decadência e a Morte Vermelha reinaram incontestadas sobre todas as coisas”.

A este propósito talvez seja oportuno aludir à simbologia da personagem coletiva dos cortesãos que compareciam na festa na abadia de sete salões.
Fácil é perceber que os cortesãos são um conjunto “manipulado” pela festa e pelo relógio de ébano: tão facilmente se divertem no baile como se assustam com som das badaladas. Aquando do ataque ao Príncipe Próspero, os convidados mostram-se incapazes de agir para o bem comum e de acudir ao seu senhor.
Assumindo-se, pois, como meros adereços na criação de uma sociedade falsa, de aparências e nada altruísta, os cortesãos partilham de um luxo sangrento que os conduz a todos para a morte. Até mais que o Príncipe Próspero, são eles que representam o lado frio e desumano das pessoas que somente olham para o seu umbigo e que se julgam, lamentavelmente, superiores.

4.4. A meu ver, esta é uma narrativa ímpar que consegue impressionar o leitor. Este conto é capaz de criar momentos únicos, uma atmosfera assustadora que nos faz ficar com “pele de galinha” e que nos leva a temer a escuridão como nunca o fizemos antes, nem mesmo em crianças.
É uma perspetiva que denuncia, sem receios, as injustiças sociais - através da relação de contraste Corte/Súbditos - e ainda a dura verdade do “mal que não acontece só aos outros”. O mal pode tocar a todos, e creio sinceramente que Edgar Allan Poe conseguiu transmitir esta mensagem através dos seus contos, que apesar de abordarem temas pesados e tabus para muitas pessoas, não deixam de esclarecer que a desgraça ou o azar fazem sempre parte da nossa vida.
Conclui-se, portanto, que a obra analisada no decorrer desta publicação constitui um aprazível elemento de leitura e, quiçá, de introspeção pessoal.

Ficha de Leitura realizada por:

::: André Nunes Rosa :::
::: 12º D :::
::: nº 3 :::

André R.
Letra
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Leitor Re: Contos Misteriosos e Fantásticos, de Edgar Allan Poe

Mensagem por Beatriz Massami Watanabe em Sex 11 Maio 2012 - 15:52

Depois de Ler o seu trabalho deu vontade de ler esse livro,parece ser bastante emocionante,misterioso e ate assutador.Gostei muito!

Beatriz Massami Watanabe
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