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A genealogia da moral - Friedrich Nietzsche

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A genealogia da moral - Friedrich Nietzsche

Mensagem por nairsantospereira em Sab 10 Maio 2008 - 3:48

A genealogia da moral - Friedrich Nietzsche




1. Identificação do livro



Título: A genealogia da moral

Autor: Friedrich Nietzsche

Editora: Guimarães e C.ª Editores

Data da edição: Junho de 1980





2. Escolha do livro



Motivos que levaram à escolha do livro



Sempre afecta e interessada à literatura existencialista, especialmente porque surge numa época conturbada da História Mundial (contexto de pós-Guerra Fria; pós-2ª Guerra Mundial – décadas de 1960, 70 e 80), temáticas como o questionamento da existência do Homem, o absurdo da vida, o ascetismo pelas pessoas cada vez mais adoptado como meio de sobrevivência, o insurgir de manifestações morais contra a banalidade da morte, desde há muito que constituem motes para o meu interesse por A genealogia da moral, de Friedrich Nietzsche, e por outras obras de Albert Camus e outros filósofos pertencentes ao mesmo estilo. Embora o autor da obra não tenha vivido os complexos acontecimentos precedentes ao aparecimento do Existencialismo, sublimemente reflecte acerca das temáticas que surgiram mais vincadamente várias décadas após a sua morte, no ano de 1900.

Como tal, A genealogia da moral saltou à vista da estante da Biblioteca Escolar mesmo pelo título constante num pequeno livrinho vermelho, tão simples que quase seria impossível reparar nele no meio da confusão de tantas lombadas lustrosas e coloridas. O conhecimento do começo da existência da moral, a distinção entre “bem” e “mal” constituem em mim rebeliões interiores pela descoberta da aparição, da génese destes opostos. Porque algo está mal se poderia eventualmente estar bem? Porque se repudia um assassino ou algum acto considerado “mau” aos olhos atrozes da sociedade? O Homem mata por prazer ou mata por necessidade? E porque é que matar por prazer está “mal” e matar por necessidade está “bem”? Todas as respostas encontrei no exímio Nietzsche…







3. Contextualização do autor



De nacionalidade alemã, Friedrich Nietzsche nasceu no seio de uma família luterana, no ano de 1844.

Estava predestinado a ser pastor tal como o seu pai, mas, no entanto, a perda da crença na Teologia durante o período da adolescência, transformaram-no num amante de leituras de Schopenhauer (filósofo alemão do século XIX), o qual influenciou indubitavelmente as premissas da sua filosofia, começando a desenvolver temáticas como: Ética; Psicologia; Filosofia da História; Ontologia; Epistemologia; aliadas aos subtemas: morte; existência; perspectivismo; dor; ascetismo; vontade de poder; entre outros.

Dotado de eminentes capacidades, e tendo-se apresentado como aluno brilhante durante o seu percurso académico na faculdade, é nomeado, anos 25 anos de idade, professor de Filologia na Universidade de Basileia, em Suíça.

Tornou-se amigo de Richard Wagner e, em 1870, alistou-se como enfermeiro voluntário durante a Guerra Franco-Prussiana, facto que fez de si um homem acrescido de sensibilidade extrema aos horrores e violência pela guerra fabricados.

No ano de 1879, a saúde de Nietzsche é deveras agravada, o que o obriga a deixar o cargo de professor, iniciando, assim, uma luta intensa contra a sua dor e a busca de um ambiente favorável e calmo tanto para a sua saúde, como também para o seu pensamento, tendo, neste contexto, afirmado o seguinte: Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros - o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (...).

Em 1882, aquando da recusa de um pedido de casamento executado a Lou-Andreas Salomé, este filósofo existencialista, sentindo-se só, escreve a obra Assim falou Zarastutra, sucumbindo a uma profunda crise do seu ser. A partir do ano de 1889, tal “crise de loucura” agrava-se verdadeiramente, tendo sido colocado sob tutela da sua mãe e da sua irmã. Estudos recentes afirmam ter-se tratado de um cancro cerebral, o que o levava à loucura e a ter pensamentos bizarros com figuras míticas, como Cristo, por exemplo.

Falece a 25 de Agosto de 1900.



De entre as obras salientadas na biografia apresentada, são de destacar outras da sua autoria: O Anti-Cristo; A Gaia Ciência; Para Além do Bem e do Mal; Ecce Homo; Origem da Tragédia.





Imagem 1 - Friedrich Nietzche







4. Conteúdo do livro



Género literário: Filosofia





Assunto

A Genealogia da moral trata a génese do pensamento do Homem, fundindo-se com a distinção entre o “bem” e o “mal”. Como tal, o ascetismo faz parte do acreditar de Nietzsche na enfermidade que invade a Humanidade e a torna tão surda, cega e muda à realidade banal do Mundo.

Defendendo que as ideias não devem ser apenas o que existe no pensamento, mas sobretudo o que existe nos actos do Homem, espelha a sua ambição na vontade do poder, por sua vez, sendo uma maneira de este viver com o meio que o rodeia.







Citações favoritas



A rebelião dos escravos da moral começou quando o ódio começou a produzir valores, o ódio que tinha a contentar-se com uma vingança imaginária. Enquanto toda a moral aristocrática nasce de uma triunfante afirmação de si mesma, a moral dos escravos opõe um “não” a tudo o que não é seu; este “não” é o seu acto criador. (Página 30).



Nesta passagem, Nietzsche tenta encontrar um fundamento lógico para a existência dos pressupostos “bem” e “mal”. De maneira que sublinha que no Mundo em que vivemos, existem dois grupos que contribuem para distinção apresentada: os escravos e os correspondentes amos. Sendo os ávidos escravos a representação do “mal”, do ódio, da vingança, os amos destes, os seus prezados senhores, são, por sua vez, a declaração do “bem” – e assim começou a existência dos opostos da moral. Não que esta distinção seja integrante do pensamento deste filósofo, mas constitui o que a própria sociedade construiu: uma hierarquia na qual constam “bons” e “maus”.







(…) todas as religiões foram em última análise sistema de crueldade (…) (Página 54).







Aos psicólogos, se algum lhes desse na vontade estudar de perto o ressentimento, eu dir-lhes-ia ao ouvido, que esta flor luz hoje as suas cores entre os anarquistas e os anti-semitas, assim como a violeta, ainda que com aroma muito diverso. (Página 67).



O ressentimento é, de facto, um dos motivos que fragmenta a união entre os povos e aqueles que lutam na sede de vingança por achar um facto que contrarie o que lhe provocou tal sentimento.







Tanto o bem como o mal – diz o budista – são obstáculos; o Homem domina um e outro…A acção e a omissão - dizem os Vedas – não causam no sábio dor alguma; o sábio sacode para longe de si o bem e o mal; nada perturba o seu reino; for para além do bem e do mal. É, pois, uma concepção eternamente hindu, bramânica e búdica. (Página 129).







A moral cristã; a noção de sinceridade aplicada com rigor crescente; a consciência cristã aguçada nos confessionários e transformada em consciência científica, em pureza intelectual; o considerar a Natureza como se fosse uma prova de bondade e providências divinas; o interpretar a história em honra de uma razão divina e como prova constante de um finalismo moral; o interpretar o nosso destino do modo como o fizeram os homens piedoso vendo em tudo a mão de Deus e o bem da nossa alma; são modos de pensar antigos, contra os quais se ergue a voz da nossa consciência, como inconvenientes, desonestos, mentirosos, afeminados, cobardes; e esta severidade de consciência é a que nos faz herdeiros da mais valiosa vitória que a Europa conseguiu sobre si mesma… (Páginas 153-154).



Tal excerto surge como uma refutação do Cristianismo que tenta explicar toda a nossa existência pela mão de Deus e é responsável pelo ideal ascético que consome tantos indivíduos ao achar que a penitência se afirma como resolução de todos os pecados.







A minha opinião sobre o livro



Tendo já revelado o meu interesse por este género literário, opino então de forma sublime acerca d’ A genealogia da moral.

Indubitavelmente, Nietzsche é um dos filósofos que mais me apraz, uma vez que se debate em torno da amplitude da vontade do Homem e consciência deste acerca do Mundo em que vive. Correcto é aquele que se abstrai da simples dicotomia bem/mal, para ascender a uma outra forma de pensar, de agir, de actuar nos circunstancialismos que a vida nos coloca diariamente. O refutar dos falsos moralismos cristãos não evidencia apenas ateísmo, mas sim uma crença de que o Homem é o seu próprio Deus; cada indivíduo cria-se a si mesmo, com as influências exteriores que constantemente recebe e com a sua capacidade de assimilar essa mesmas, por forma a revelar-se um ser superior, astuto, sagaz.

Foi a sociedade em que vivemos que alimentou o antagonismo existente entre o “bem” o “mal” ao agir em prol da lei do mais forte.

Esta não é apenas uma opinião sobre o livro, mas é, sobretudo, o manifesto de uma partilha da mesma concepção de Nietzsche.







Imagem 2 - A genealogia da moral

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Re: A genealogia da moral - Friedrich Nietzsche

Mensagem por Rute em Dom 11 Maio 2008 - 13:54

18 =)


Espero que estejas melhor Wink
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