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Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

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Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Mensagem por Deivid em Sex 4 Jul 2008 - 16:57

1 - Identificação do livro:



[size=12]1.1 – Título: Auto da Compadecida


1.2 - Autor: Ariano Suassuna

1.3 - Editora: Agir Ltda.

1.4 - Data de Edição: 2007 (edição comemorativa do cinqüentenário do auto da compadecida).



2 - Escolha do Livro:

2.1 - motivos que levaram à escolha do livro:

Eu escolhi esse livro por que é, em minha opinião, o melhor livro nacional que eu já li. Trata-se de um livro na forma de um auto, que conta a fantástica história de Chico e João Grilo, dois amigos nordestinos que estão sempre unidos, e que usam da inteligência para se dar bem. Eu e meu grupo até irá apresentar essa peça no final do ano, caso tenhamos que fazer uma apresentação teatral, como no ano passado É um ótimo livro, eu recomendo que leiam, ou se preferirem, ao menos vejam o filme. J



3 - Contextualização do autor:



3.1 - Alguns dados biográficos:







Ariano Suassuna.





Biografia.



Ariano Suassuna nasceu na cidade de João Pessoa, Paraíba, no dia 16 de junho de 1927, filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e Rita de Cássia Dantas Villar. Fez o curso primário no município de Taperoá, PB. Em 1942, a família Suassuna se transfere para o Recife, por motivos políticos, e Ariano vai estudar no Ginásio Pernambucano e depois no Colégio Oswaldo Cruz.
Em 1946, entrou para a Faculdade de Direito do Recife, onde conheceu um grupo de escritores, atores, poetas, romancistas e pessoas interessadas em arte e literatura, entre os quais, Hermilo Borba Filho, com o qual Ariano fundou o Teatro de Estudantes de Pernambuco. Concluiu o curso de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1950.
Em 1947, escreveu sua primeira peça de teatro, Uma mulher vestida de sol, baseada no romanceiro popular do Nordeste brasileiro e com ela ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno, em 1948.
No dia 19 de janeiro de 1957, casa-se com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos: Joaquim, Maria, Manoel, Isabel, Mariana e Ana.
Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do qual fez parte de 1967 a 1973 e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de 1968 a 1972.
Foi nomeado, em 1969, Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, ficando no cargo até 1974. Lança no dia 18 de outubro de 1970 o Movimento Armorial, com o concerto Três séculos de música nordestina: do barroco ao armorial, na Igreja de São Pedro dos Clérigos e uma exposição de gravura, pintura e escultura.
De 1975 a 1978 foi Secretário de Educação e Cultura do Recife. Doutorou-se em História pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1976. Foi professor da UFPE por 32 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira.
Em agosto de 1989, foi eleito por aclamação para a Academia Brasileira de Letras, tomando posse em maio de 1990, na cadeira número 32, que pertenceu ao escritor Genolino Amado. Dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta, defensor incansável da cultura popular, das raízes brasileiras e, especialmente nordestina.




3.2 - Outras obras do autor:



Teatro

Uma mulher vestida de Sol, (1947);

Cantam as harpas de Sião ou O desertor de Princesa, (1948);

Os homens de barro, (1949);

Auto de João da Cruz, (1950);

Torturas de um coração, (1951);

O arco desolado, (1952);

O castigo da soberba, (1953);

O Rico Avarento, (1954)

Auto da Compadecida, (1955);

O casamento suspeitoso, (1957);

O santo e a porca, (1957);

O homem da vaca e o poder da fortuna, (1958);

A pena e a lei, (1959);

Farsa da boa preguiça, (1960);

A Caseira e a Catarina, (1962);

As conchambranças de Quaderna, (1987);

Fernando e Isaura, (1956)"inédito ate 1994";

Romance

A História de amor de Fernando e Isaura, (1956)

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, (1971).

História d'O Rei Degolado nas caatingas do sertão/Ao sol da Onça Caetana, (1976).

Poesia

O pasto incendiado, (1945-1970)

Ode, (1955)

Sonetos com mote alheio, (1980)

Sonetos de Albano Cervonegro, (1985)

Poemas (antologia), (1999)



4 - Conteúdo do Livro:



4.1 - Gênero Literário: Teatro

4.2 - Breve síntese:

A História se passa no vilarejo de Taperoá, sertão da Paraíba. A história descreve as aventuras de Chicó e de seu amigo João Grilo.
Chicó trabalha com o padeiro e sua mulher que está preocupada com seu cachorro que adoece. Sua dona manda chamar o padre para benzê-lo.
O padre está irredutível. Diz que não benze o cachorro. O cão morre e o casal exige que seja feito um enterro em latim. João Grilo conta a primeira de suas mentiras, fala ao padre que o cachorro deixou um testamento, com 3 contos de réis para as obras da igreja. O padre faz o enterro. Quando o bispo descobre, fica furioso, mas Grilo fala que o bichinho deixou também 6 contos de réis para a arquidiocese e este aceita o dinheiro e concorda com o clérigo.

João quer se vingar de seus patrões, pois certa vez passou 3 dias doente numa cama e nem um copo dágua deram a ele, enquanto o falecido cachorro tinha até carne passada na manteiga. Por isso ofereceu um gato para a mulher do padeiro, no lugar do falecido cãozinho, dizendo que esse gato descomia (defecava) dinheiro. (sua segunda mentira). Ela viu eles tirarem 2 das 3 notas que os dois colocaram escondido no pobre bichinho, então ela compra o gato enquanto João Grilo sai com seu grande amigo Chicó, que põe debaixo da camisa uma bexiga de sangue dada por Grilo, mas que só seria usada mais tarde. O padeiro descobre a farsa do gato e vai reclamar com os dois, que estão na Igreja. Nesse momento Severino chega à cidade atirando, pega todo o dinheiro do testamento do cachorro, e jura todos de morte. O padre e o Bispo são os primeiros; depois o padeiro, ao descobrir que vinha sendo traído, quis ver sua mulher morrer primeiro, mas na hora do tiro se abraçou a ela e os dois morreram juntos. Quando chegou a vez de João Grilo ele fala sobre uma gaita abençoada por Padre Cícero e que ressuscita pessoas ( sua terceira mentira). Para provar que funcionava, de uma facada em Chicó, que só entendeu o plano do amigo quando viu a bexiga de sangue ser perfurada, e então se fingiu de morto. Quando João tocou a gaita, Chicó ressuscitou, Severino pede então para que seu cabra (outro cangaceiro) atirasse nele, que a princípio se recusou a atirar no patrão, mas depois atirou. O cabra tocou a gaita mas Severino não ressuscitou, então ele briga com os dois. No meio da confusão Grilo deu uma facada no cangaceiro, que caiu. O covarde Chicó queria fugir logo, mas João quis pegar o testamento do cachorro primeiro. Quando pegou o dinheiro, o cabra, em seu ultimo suspiro deu um tiro em João Grilo, e ambos morreram, sobrando apenas Chicó.

Chega-se então o clímax da história, o julgamento. A princípio aparece o diabo (ou encourado) que quer levar todos pro inferno, mas João além de chamá-lo de fedido, ainda apela, e então aparece Jesus Cristo, na forma de um homem negro, para o espanto de todos. Quando o diabo parecia ter ganhado a causa, João Grilo apela novamente, dessa vez para Maria, mãe de Jesus. O padre e o bispo, acusados de suborno são perdoados por perdoarem seus assassinos. O padeiro, acusado de ganância, e sua mulher, acusada de adultério, são perdoados, por perdoarem uns aos outros na hora da morte. Severino e seu cabra, grandes assassinos, são perdoados por terem tido uma infância pobre, visto os pais serem assassinados, vivendo na própria sorte, sem ninguém. Todos foram para o purgatório, onde pagaria pelos pecados cometidos, mas pelo menos tinham a salvação garantida. Sobrou Grilo, que por suas mentiras estava em maiores problemas. Durante seu julgamento constantemente ele enfrenta o demônio, no final ganha uma segunda chance e volta a vida, lógico, sem se lembrar do julgamento. Chicó se assusta no início, mas depois acredita que João esteja vivo. Ambos comemoram a riqueza que o testamento do cachorro lhes deixou, mas Chicó se lembra que tinha prometido todo o dinheiro pra Nossa Senhora, caso Grilo sobrevivesse. Este quer sua parte do dinheiro, briga com Chicó, mas no final dá razão ao amigo e vai cumprir a promessa, ficando os dois pobres novamente. Mas no final até acham melhor, pois o dinheiro só sobe na cabeça das pessoas, como fez com o padre, o bispo, o padeiro... Eles preferiam “viver felizes em suas desgraças, pois com ela já estava acostumados”, conforme eles mesmo disseram., já que mesmo não tendo dinheiro, ele eram felizes.



4.3 - Citações favoritas:



Peço perdão por me empolgar, expondo aqui muitas citações, mas acho que essas citações são importantes tanto para uma melhor concepção da obra, como para uma melhor concepção dos personagens, elas não são apenas citações favoritas, são também citações de extrema importância para o livro.



João Grilo

Muito pelo contrário, ainda hei de me vingar do que ele e a mulher me fizeram quando estive doente. Três dias passei em cima de uma cama pra morrer e nem um copo d´agua me mandaram

Essa frase mostra a raiva que João grilo tinha dos patrões por esses tratarem ele mau. Foi um incidente que ocorreu com ele, e que João não cansa de lembrar, tanto é que essa mesma frase aparece mais umas 4 vezes no decorrer da história.



padeiro

Ah, você está aí? [ pega João pela camisa] O gato não descome dinheiro coisa nenhuma, descome o que todo gato descome. Mas você me paga!

Essa frase mostra o momento em que o padeiro descobre que a hstória do gato era mentira, então vai tirar satisfação com João grilo.



Severino

Mais pobre do que Vossa Senhoria é Severino do Aracaju, que não têm ninguém por ele, a não ser seu velho e pobre papo amarelo. Mas mesmo assim eu quero ajuda-lo, por que Vossa Senhoria é meu migo. [Tirando o dinheiro] Três contos! Estou quase pensando em deixar o cangaço. Eu deixava vocês viverem, o bispo demitia o sacristão e me nomeava no lugar dele. Com mais uns cinquenta cachorros que se enterrasem, eu me aposentava (...)



Nesse trecho mostra a fala de Severino, que lembra de seu duro passado e ainda ironiza a corrupção da Igreja, já que ele soube que foi só do enterro do cachorro que saiu todo aquele dinheiro.



Chicó

João! João! Morreu! Ai Meu Deus, morreu o pobre de João Grilo! Tão amarelo, tão safado e morrer assim! Que é que eu faço no mundo sem João? João! João! Não tem mais jeito. João Grilo morreu. Acabou-se o Grilo mais inteligente do mundo. Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sen explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, por que tudo que é vivo morre. Que posso fazer agora? Somente seu enterro e rezar por sua alma.



Esse trecho trata da morte de João Grilo e de como seu fiel amigo, Chicó enfrentou a situação, enaltecendo a inteligência que João teve em vida e recitando o mesmo versinho sobre a morte, que também foi dito quando o cachorro morreu.



João Grilo

Valha-me Nossa Senhora/ Mãe de Deus de Nazaré!

A vaca mansa dá leite/ a braba dá quando quer.

A mansa dá sossegada/ a braba levanta o pé.

Já fui barco, fui navio/ mas hoje sou escaler.

Já fui menino, fui homem/ só me falta ser mulher.

Valha-me Nossa Senhora/ Mãe de Deus de Nazaré!



Este foi o versinho que João Grilo usou para envocar Maria na hora de seu julgamento, verso que ela até gostou e que prova a irreverencia e o bom humor não apenas do personagem João Grilo, como do autor nessa sua obra.



João Grilo

Entrego. Palavra é palavra, e depois estive pensando: quem sabe se a gente, depois de ficar rico, não ia terminar como o padeiro? Assim é melhor cumprir a promessa: com desgraça a gente já está acostumado e assim pelo menos não se fica com aquela cara. [..] Pois vamos. Mas de outra vez, veja o que promete, infeliz, porque essa, ah promessa desgraçada, ah promessa sem jeito!



Essas são as últimas falas da peça “Auto da Compadecida”, que mostra o desfecho. João Grilo e Chicó resolvem por bem icar sem o dinheiro pois repararam que o dinheiro sobe na cabeça das pessoas, e eles já estavam felizes com a vidinha pacata deles.



4.4 - Opinião sobre o Livro:

Como eu ja acabei falando em “2.1 - motivos que levaram à escolha do livro”, O Auto da Compadecida é na minha opinião o melhor livro nacional, pois trata da esperteza de dois grandes amigos, além de mostrar personagens fictícios e reais (caso do cangaceiro Severino) e abordar temas como o nordeste brasileiro, suborno, adultério,e religião, mas sempre com um excelente bom humor, através de falas e situações, tornando-a assim uma excelente história criada por Ariano Suassuna.
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Re: Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Mensagem por Deivid em Sex 4 Jul 2008 - 17:01



5. Curiosidades:



O Auto da Compadecida é o maior sucesso de Ariano Suassuna, e seu sucesso foi tamanho que essa peça já foi ensaiada pelo mundo todo, em países como EUA, Canadá, França, Itália, Espanha, Alemanha, entre outros. E não para por aí. Ela ainda ganhou adaptações para o cinema, a mais famosa delas feita pela Globo. No começo se tratava de uma minisérie exibida em 4 capítulos, mas seus sucesso foi tamanho que essa minisérie virou filme, sendo um dos maiores sucessos cinematográficos do país. Nessa adaptação aparece novos personagens, como Dora, a filha do Major Antônio Moraes, além do cabo setenta e Vicentão, o machão da cidade. João Grilo arma um plano para que Rosinha se case com Chicó, e para isso faz Chicó duelar com esses dois homens. Mas fora essas e outras poucas mudanças, o roteiro até que segue fiel a obra original.











capa do dvd do filme







Chicó e João Grilo respectivamente, interpretados por Selton Mello e Matheus Natchegaele.



Ficha Técnica
Título Original: O Auto da Compadecida
Gênero: Comédia
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento (Brasil): 2000
Estúdio: Globo Filmes
Distribuição: Columbia Pictures do Brasil
Direção: Guel Arraes
Roteiro: Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, baseado em peça de Ariano Suassuna
Produção: Daniel Filho e Guel Arraes
Direção de Fotografia: Felix Monti
Desenho de Produção: Eduardo Figueira
Direção de Arte: Lia Renha
Figurino: Cao Albuquerque
Edição: Paulo Henrique


Elenco
Matheus Natchergaele (João Grilo)
Selton Mello (Chicó)
Diogo Vilela (Padeiro)
Denise Fraga (Dora)
Rogério Cardoso (Padre João)
Lima Duarte (Bispo)
Marco Nanini (Cangaceiro Severino)
Enrique Diaz (Capanga)
Aramis Trindade (Cabo Setenta)
Bruno Garcia (Vicentão)
Luís Melo (Diabo)
Maurício Gonçalves (Jesus Cristo)
Fernanda Montenegro (Nossa Senhora)
Paulo Goulart






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Re: Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Mensagem por Deivid em Sex 4 Jul 2008 - 17:07

Smile Obrigado, já podem avaliar Exclamation Exclamation Exclamation Smile
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Re: Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Mensagem por Rute em Seg 7 Jul 2008 - 13:53

18

fizeram muito bem em por toda a informaç~~ao que existia sobre o filme eheheheh =)

mto bom!
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Re: Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

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