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São Bernardo -Graciliano Ramos

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São Bernardo -Graciliano Ramos

Mensagem por angélica em Sex 26 Set 2008 - 8:11

1. Identificação do Livro

1.1. Título

São Bernardo








1.2. Autor
Graciliano Ramos

1.3. Editora
Record

1.4. Data da Edição
1990


2. Escolha do livro.

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro
Escolhemos São Bernardo por ser um dos mais consagrados livros de Graciliano Ramos e por que neste romance o autor traça o perfil da vida de um homem rude e egoísta, do jogo de poder que acompanha sua perigosa escalada.






3. Contextualização do Autor

3.1. Alguns dados biográficos.
Primogênito de dezesseis filhos do casal Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ramos, viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Volta para o Nordeste em setembro de 1915, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casa-se com Maria Augusta de Barros, que morre em 1920, deixando-lhe quatro filhos.

Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em decorrência do pânico insuflado por Getúlio Vargas após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.
É libertado em janeiro de 1937. As experiências da cadeia, entretanto, ficariam gravadas em uma obra publicada postumamente, Memórias do Cárcere (1953), relato franco dos desmandos e incoerências da ditadura a que estava submetido o Brasil.
Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil - PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro - PCB - e Partido Comunista do Brasil - PCdoB), de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com sua segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954). Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.
Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi internado, mas acabaria falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.
O estilo formal de escrita e a caracterização do eu em constante conflito (até mesmo violento) com o mundo, a opressão e a dor seriam marcas de sua literatura.



3.2. Outras Obras do(a) Autor(a)
Vidas secas
Caetés
Memórias do Cárcere
Angústia
Infância

4. Conteúdo do Livro

4.1. Gênero Literário.
Romance

4.2. Assunto
Uma das obras-primas de Graciliano, é narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo.
Neste tempo, já pensava em ganhar dinheiro, sendo que trabalhos na enxada até então, dentre outros lugares em São Bernardo, onde permanecera no eito e de que desejava se tornar senhor.
Emprestando dinheiro a juros, negociando no sertão, passando fome e sede, Paulo Honório acumula algum capital e com ele volta à sua terra, município de Viçosa, Alagoas. Aí ficava a fazenda de São Bernardo, lugar na qual trabalhou na sua infância, cujo novo dono, Luis Padilha - filho do falecido patrão de Paulo, Salustiano Padilha - é beberrão, mulherengo e incompetente.
Aproxima-se então de Padilha com o propósito calculado de tirar-lhe a propriedade. Consegue ter êxito fazendo-se seu amigo, emprestando-lhe dinheiro, dando-lhe maus conselhos sobre o cultivo da fazenda. Quando vence a ultima letra que Padilha devia a Paulo, dirige-se a São Bernardo (fazenda) e praticamente rouba a propriedade de Padilha, que, arruinado, acaba por vendê-la a preço baixo.
Com violência e determinação, Paulo Honório, começa a reconstruir a fazenda. Através do Capanga Casemiro Lopes, assassina o velho Mendonça, da propriedade vizinha,pois tinham ressentimento um do outro. Invade os domínios vizinhos, compra maquinas, empresta dinheiro de bancos, comete grandes e pequenas violências, ganha causas no fórum graças a trapaças de João Nogueira, o advogado que o protegia.
Além do capanga e do advogado, Paulo Honório contava com o jornalista Gondim, com o Padre Silvestre e com os políticos da terra, que manejava de acordo com os seus interesses, a fim de vencer. Reconstruída a casa, iniciada a pomicultura, a avicultura, a plantação de algodão, e Paulo Honório resolve-se se casar.
Conhece Madalena, a professora da Vila, e simpatiza com ela. Na mesma determinação, com o mesmo esforço que conseguiu a posse e o progresso de São Bernardo, consegue conquista-la. Madalena muda-se para a fazenda em companhia da tia Glória.
A vida de Paulo Honório modifica-se a partir dai num processo lento, mas fatal de ruína: Madalena, humanitária e esclarecida, interfere em sua rotina de domínio e de exploração. Ajuda os empregados e melhora a situação da escola que Paulo Honório construíra na fazenda apenas para "agradar"o governador (cujo o professor era Luis Padilha, o antigo dono da São Bernardo). Trabalha com o guarda-livros, o seu Ribeiro, mostrando uma conduta que Paulo considerava inadequada às mulheres: comunista e intelectual. As brigas entre Madalena e Paulo Honório continuam desde o casamento. Isso por causa da generosidade de Madalena e da violência de Paulo Honório.
Madalena não resiste aos maus tratos do marido e suicida-se. Com a sua morte Paulo Honório vai perdendo outras pessoas: D. Glória, seu Ribeiro, o Padilha, e também a obsessão de produzir e ganhar dinheiro.
A revolução de 30 dificulta-lhe os negócios e ele não reage. São Bernardo padece sob os olhos indiferentes do proprietário, que começa então a sentir a derrota de sua antiga imponência: a presença de Madalena perseguia-o. Através dela, que amava-a, sem conhecer esse sentimento, Paulo Honório compreende o "aleijão" que se tornara. Deformado pela profissão, que o afastou das pessoas e das relações humanas, substituindo-as por relações de posse, de domínio, de poder. Ele reconhece a própria monstruosidade.
Impotente para se transformar, sem ter simpatia pelos infelizes que o rodeiam, inclusive pelo filho de três anos, desconfiado de tudo e de todos, Paulo Honório amarga a solidão e isolamento escrevendo um romance e buscando, assim , o sentido da sua vida.

4.3. Citações favoritas
“creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins”.
Nesse trecho fica claro a concordância de Paulo Honório quando afirma ter se transformado em um “monstro”

4.4. Opinião sobre o livro
Após a leitura do livro achamos uma historia fabulosa onde o autor é o personagem principal na qual ele se auto avalia.


Angélica
Bianca
Katia


Última edição por Filipe Azevedo em Dom 28 Set 2008 - 9:11, editado 1 vez(es) (Razão : Activar as imagens)

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Re: São Bernardo -Graciliano Ramos

Mensagem por Rute em Sab 4 Out 2008 - 6:47

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