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Iaiá Garcia- Machado de Assis

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Leitor Iaiá Garcia- Machado de Assis

Mensagem por Bruna Aparecida Biasotti em Sex 26 Set 2008 - 8:28

1.Identificação do livro

1.1 Título
Iaiá Garcia

Foto:




1.2 Autor
Machado de Assis

1.3 Editora
Ática

1.4 Data de edição
1992

2. Escolha do livro
2.1. Motivos que levaram à escolha do livro
Em 2008,comemora-se o centenário da morte de Machado de Assis, por isso decidimos só apresentar livros desse autor.

3. Contextualização do Autor

3.1. Alguns dados biográficos
Joaquim Maria Machado de Assis, geralmente considerado maior escritor brasileiro, nasceu a 21 de junho de 1839 mo Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade, a 29 de setembro de 1908.Seu pai, o mulato Joaquim, era pintor de paredes;sua mãe, a portuguesa Maria Leopoldina, lavadeira.

Machado passou sua infância entre a chácara de Livramento(de propriedade de sua madrinha) e a casa pobre dos pais, percebendo desde muito cedo os desníveis sociais recebendo as primeiras impressões do ambiente descrito em suas obras. A pobreza, a cor, a timidez e a gagueira reforçaram seu isolamento.O menino já sentia umas “coisas esquisitas”, como desmaios ou crises nervosas, prenúncios da epilepsia que se manifestaria alguns anos mais tarde.Depois da morte da mãe(1849), o pai casou-se novamente.Maria Inês, a madrasta, ensinou ao menino as primeiras letras e criou-o com carinho após a morte do pai(1851).Ela empregou-se como cozinheira nas horas livres fazia balas, que o garoto vendia nas ruas da cidade.Em suas andanças, o jovem baleiro conheceu a senhora Gallot, francesa dona de uma padaria que lhe ensinou seu idioma.Em 1855, ele consegue o emprego como aprendiz de tipógrafo na oficina do jornalista Francisco de Paula Brito.Logo em seguida estréia no jornal A Marmota, com os versos de amor Meu Anjo.

No Ano seguinte, trabalhando na Imprensa Nacional torna-se amigo de Manuel Antonio de Almeida, seu protetor durante muito tempo.A partir de 1858, Machado de Assis passou a escrever regularmente no Correio Mercantil e em outros jornais cariocas.Em 1869 casou-se com Carolina Xavier de Novais, em 1870, publicou Contos Fluminenses volume que inaugurou sua longa carreira de escritor.
3.2. Outras Obras do Autor
-Crisálidas (1864)
-Falenas (1870)
-Americanas (1875)
-Histórias da Meia Noite (1873)
-Histórias sem Data (1884)

4. Conteúdo do Livro

4.1. Gênero Literário
Romance

4.2. Assunto

O enredo se constitui de uma serie de incidentes que giram sempre em torno do mesmo ponto, a realização ou a não-realização de um casamento. Todos os atos das personagens são conduzidos, de modo direto ou indireto, para a consecução ou para o impedimento desse objetivo. Assim, a ação do romance arma-se sobre a mesma seqüência básica, repetida ao longo do relato com ligeiras variações, mas mantendo sistematicamente os elementos essenciais.
A estrutura dessa seqüência básica pode ser representada pela figura do triangulo que surge e se desfaz a cada instante, assinalando as varias disposições das personagens em cada conjunto de peripécias. Jorge deseja casar-se com Estela, mas é impedido pela oposição radical de sua mãe, Valéria, que prefere manda-lo para a guerra a permitir o enlace. A essa primeira configuração(Jorge, Estela, Valéria), segue-se uma segunda, que se da quando Valéria, através de algumas manobras, obtém o casamento de Luís Garcia com Estela – e cria assim o triangulo número 2, apenas virtual e latente, mas de importância decisiva: Luís Garcia, Estela e Jorge. Quando Iaiá, ainda mocinha, percebe a existência subterrânea dessa relação, imagina que a honra do pai esta em perigo e decide salva-la, conquistando Jorge e afastando-o de Estela.
Triangulo número 3: Jorge, Estela e Iaiá. E por fim, o aparecimento de Procópio Dias, apaixonado pela moça, esboça o quarto triangulo (Jorge, Iaiá, Procópio Dias), que só desaparece no desfecho da estória.
O casamento é visto como um negócio da razão, “uma simples escolha da razão”, como diz Estela, e em conseqüência não deve ser deixado ao arbítrio do amor. “A vida conjugal”, afirma-se a certa altura, “é tão somente uma crônica; basta-lhe fidelidade a algum estilo”. Notações desse tipo são freqüentes na narrativa e apontam para uma visão muito bem definida da relação familiar: duas pessoas devem unir-se em obediência aos interesses pessoais e sociais, colocando-os acima das ilusões do amor.
O conjunto dos motivos que justificam o comportamento das personagens baseia-se inteiramente nessa maneira de encarar a vida conjugal. É apoiado nela que o narrador faz Valéria impedir o casamento do filho, armando assim a primeira intriga; é valendo-se dela que ele complica a narrativa, ao fazer Estela casar-se com Luís Garcia; é ainda sustentado por ela que o narrador movimenta Iaiá Garcia, fazendo com que a menina se disponha à complicada manobra de conquistar Jorge e salvar “ a paz domestica”. Fica evidente que essa concepção, ao chocar-se com a pura espontaneidade das personagens, gera os atritos que compõem a intriga do romance.
A conseqüência mais mediata dessa contradição entre os impulsos afetivos, espontâneos, e as conveniências sociais que os reprimem, é um jogo de interesses e mascaras, uma serie de simulações de que participam todas as personagens, com exceção de Luís Garcia.
Todas as personagens dissimulam, todas elas procuram esconder o verdadeiros motivos que as levam a agir. O limite de inconsciência desse fingimento talvez seja Valéria, que não vacila em forçar entrada do filho na guerra a fim de impedir uma união por ela considerada indigna, pois Estela não possui o mesmo status de sua família. Para obter a aliança de Luís Garcia, a mãe de Jorge chega mesmo a à calunia, à mentira direta, afirmando que a mulher por quem o filho esta apaixonado é uma senhora casada.
Não há nenhum horror ante o que acontece, tudo é visto como natural. O próprio Jorge, depois de repelido por Estela (que apesar de ama-lo porta-se de modo frio também em obediência às regras da sociedade ).
O fingimento se transforma em regra: todos fingem. Toda dissimulação é justificada, passa fazer parte integrante do comportamento das pessoas. E o ponto máximo dessa integração, a fusão completa entre fingimento e personalidade, é a personagem que dá titulo ao livro, Iaiá Garcia. Nela paradoxalmente, a fraude chega a parecer verdade, a dissimulação se aproxima da espontaneidade.
Iaiá passa por sua primeira transformação ao surpreender a expressão de Estela lendo uma velha carta de Jorge, e ao suspeitar a existência de um vinculo amoroso entre os dois.
A partir daí, a estória se concentra em Iaiá. O traço principal de seu caráter é a capacidade de simular: jogando com Estela, Jorge e Procópio Dias, vai construindo sua pequena teia, sem vacilações ou dúvidas.
O aspecto forte de Iaiá Garcia é a duplicidade que se automatiza e se torna mais espontânea que premeditada, quase reflexa e inconsciente.
De fato, o estilo pesado solene do livro só ganha vivacidade quando entre em cena a astúcia inocente de Iaiá. Nesse momento sentimos um pouco do prazer com que Machado cria as duplicidades inextrincáveis, estimula os comportamentos inexplicados, provoca as contradições mais fortes. É nesses instantes que a complicação “ do natural com o social” se torna mais sutil, e habilidade do romancista para exibi-la dá a medida de sua grandeza.


4.3. Citações favoritas

Citação 1:

“No fundo do jardim estava Luís Garcia, com o tabuleiro do xadrez: acabava de dar uma lição à filha, que lha pedira desde antes do jantar. Iaiá levou até lá o filho de Valéria. Pela primeira vez sentou-se ao pé dos dois para vê-los jogar; fincou os cotovelos na mesa e encostou o queixo nas mãos; queria aprender, dizia ela, em três semanas.
- Três semanas! repetiu o pai a sorrir e a olhar para Jorge.
Das qualidades necessárias ao xadrez, Iaiá possuía as duas essenciais: vista pronta e paciência beneditina; qualidades preciosas na vida, que também é um xadrez, com seus problemas e partidas, umas ganhas, outras perdidas, outras nulas.”

Iaiá decide aprender a jogar xadrez e decide também manipular as outras personagens (Jorge, Estela, Procópio Dias) como peças de um jogo.


Citação 2:
“Estela fechou os olhos para não ver o pai. Nem esse amparo lhe ficava na solidão. Compreendeu que devia contar só consigo, e encarou serenamente o futuro. Partiu; o pai despediu-se dela com desespero no coração,- e desta vez a dor era desinteressada e pura.”

Veja que, como num jogo de xadrez, as peças (personagens) se movem e trocam posições, só que aqui, por se tratar de uma narrativa romântica, recupera-se, ao final, um equilíbrio ameaçado, com o afastamento do núcleo de tensão (Estela).

4.4. Opinião sobre o livro

Apesar de a estória ser um pouco complicada de se entender, gostamos do livro, e pudemos ter mais detalhes de como era a organização da sociedade brasileira na época em que o livro foi escrito.


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Última edição por Bruna Aparecida Biasotti em Ter 30 Set 2008 - 10:31, editado 2 vez(es) (Razão : Activar as imagens)
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Leitor Re: Iaiá Garcia- Machado de Assis

Mensagem por Rute em Sab 4 Out 2008 - 6:45

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