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"O Amor é Fodido" de Miguel Esteves Cardoso

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"O Amor é Fodido" de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por Beatriz Franco em Dom 16 Nov 2008 - 6:27

Antes de ler o livro

1. Identificação do Livro

1.1. Título
“ O Amor é Fodido”

1.2. Autor(a)
Miguel Esteves Cardoso



1.3. Editora

ASSÍRIO & ALVIM



1.4. Data da Edição
1.ª Edição: 1994/ Edição lida : 10ª Edição: 2002



2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro

Decidi ler este livro porque o seu título “ o Amor é Fodido “ me despertou a atenção, um título sugestivo que deixa em aberto a história do livro. Sem dúvida um titulo que sugere uma história diferente. Eu costumo gostar de livros assim, gosto de ficar curiosa sobre o tema e só perceber do que se trata quando começar a ler as primeiras páginas.



Após a leitura do livro

3. Contextualização do Autor

3.1. Alguns dados biográficos

Miguel Esteves Cardoso

Jornalista e sociólogo português, nascido em 1955, após a sua licenciatura, fez estudos de pós-graduação em Inglaterra, tornando-se professor auxiliar e investigador do Instituto de Ciências Sociais.
Trabalhou na comunicação social, fazendo crítica de música em jornais como O Jornal e O Expresso. Em 1988 fundou O Independente com Paulo Portas. Em 1990, depois de se afastar daquele semanário, fundou a revista Kapa.
Esteves Cardoso é também tradutor, ensaísta, autor de programas de rádio, dramaturgo, entrevistador. Tornou-se uma personalidade conhecida pela sua participação regular em programas televisivos.


3.2. Outras Obras do(a) Autor(a)

“Causa das Coisas” (1986)

“Meus Problemas” (1989)

“ As Minhas Aventuras na República Portuguesa” (1990)

“Último Volume” (1991)

“ A Vida Inteira “ (1995)

“ Cemitério de Raparigas “ (1996)

“Explicações de Português” (2001)



4. Conteúdo do Livro

4.1. Género Literário
Romance de Crítica Social



4.2. Assunto (breve síntese)

João é um idoso inválido, internado num lar, que recorda Teresa, o grande amor da sua vida. O único amor verdadeiro da sua vida, o amor impossível de igualar. Aquele amor sem medida. A narração, feita em retrospectiva, fala da relação doentia, impossível e inconsciente entre os dois, da vida triste de João sem Teresa, do simulado suicídio de Teresa que João só descobriu anos mais tarde e da impossibilidade de alcançar o “ amor perfeito “.



4.3. Citações favoritas (se necessário, explicadas no contexto)

Miguel Esteves Cardoso mostra-nos a verdadeira essência do amor e não somente uma história cor-de-rosa dos contos de fadas. O amor é cruel, o amor é egoísta, é absorvente, inebriante. Nesta obra somos confrontados com um amor inconsciente, onde os seus actores principais não pensam, não têm a noção do que está errado e do que está certo, simplesmente amam. A mensagem que sobressai é: não penses no que fazes, faz simplesmente (“ Nós que nem sequer tivemos a consciência ou a angústia ou o prazer de pensar que houve uma vez em que ainda era relativamente cedo”).

Esta obra demonstra-nos a loucura saudável que nos absorve sempre que amamos loucamente. O mundo de João baseava-se em Teresa e o facto de não a puder ter tornava todo o resto desinteressante. (“ O mundo inteiro é muitas vezes muito pouco, para quem não está a procura de nada “).

O nosso quotidiano enche-se de expressões como “ do ódio ao amor é um passo “ ou “ do amor ao ódio é um passo “ e este livro demonstra como se pode amar, odiar e permitir a coexistência desses sentimentos contrários numa só relação. João odiava Teresa, e odiava-se a si mesmo, por gostar tanto dela e por sentir tanto a sua falta. Aquele amor fazia-lhe mal mas sabia-lhe bem (“ Tenho saudades de ti. Mas não me custa sofrê-las, comparado ao que eu sofria quando estavas aqui comigo…”).

Cada vez que estamos longe de alguém é que nos apercebemos como e quanto é que essa pessoa foi importante para nós. João talvez não tenha preparado o seu coração para odiar tanto o facto de estar longe de Teresa. Ela estava perto, muito perto por sinal, parecia estar sempre ali. Parecia, mas não estava (“ Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te que te amo e como te procuro, no meio de uma destas ruas em que te vejo, zangado de saudade, no céu claro, no dia frio. Devolve-me a minha vida e o meu tempo. Diz qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada, que julga que andas aqui perto e chama sem parar por ti. “).

João deixou de saber o que sentir, deixou de saber o que pensar. Mas sabia que se lembrava, sabia o nome dela, sabia cada traço do rosto dela. Ainda ouvia a sua voz, ainda conseguia sentir o seu cheiro e tinha uma raiva brutal dele próprio por ainda não ter esquecido todos estes pequenos grandes detalhes do seu amor (“ O que custa mais não é tanto lembrar - é não esquecer. O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há mais nada para fazer?”).

No fundo, o amor é uma contradição, quanto mais se ama e quanto maior é a medida do amor, aquele amor sem medida, mais sentimentos obscuros ele nos traz. (“ O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido”).





4.4. Opinião sobre o livro

O amor…porque é que é tão difícil descrever uma palavra tão simples? Porque é que é tão difícil saber exactamente o valor de um sentimento? Talvez seja porque os sentimentos são pessoais, são demasiado nossos para os expormos perante outros. Este livro distancia-nos um pouco daquele “ amor perfeito” que estamos habituados a ouvir falar e é por isso que despertou o meu interesse. Ao ler este livro deparei-me com a realidade das coisas e não com um mundo cor-de-rosa que criamos na nossa imaginação.

Neste livro o autor diz-nos que “ um amor não pode pertencer a duas pessoas “, e na verdade nós deparamo-nos com essa realidade todos os dias. Ninguém ama de igual maneira e a frustração de que somos vítimas quando nos apercebemos de que amamos mais do que nos amam é aterradora. É por isso que temos medo do amor, é por isso que tal sentimento nos assusta e é por isso que nos magoa verificar que não amamos da mesma forma.

Miguel Esteves Cardoso deixa em aberto o significado do amor, sem traí-lo, defini-lo ou magoá-lo, na minha opinião, para que nós próprios possamos ter a consciência que o amor pode ser uma contradição, pode ser a coexistência de dois sentimentos tão distintos como o amor e o ódio, pode levar á saudade, á loucura, á tristeza de estar longe de alguém e á obsessão por alguém que parece tão perto e está tão longe. A meu ver, ele não quer “criticar” o amor, quer apenas mostrar o verdadeiro amor. Aquele amor que não é planeado. O amor que não faz sentido e que não é mesmo para perceber.

Quase já ninguém vive um amor impossível, as pessoas amam porque dá jeito, porque é fácil e porque não há nada que as impeça. Amam ou fingem que amam por uma questão económica, porque se sentem sozinhos, porque precisam de alguém para discutir ou apenas de alguém para conversar. Amam-se porque até se dão bem e nem se chateiam muito. “Forçam” muitas vezes o aparecimento do amor, quando na realidade, o amor aparece sem avisar.





Eu adorei o livro! Very Happy

Beatriz Franco
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Avaliação

Mensagem por Filipe Azevedo em Dom 23 Nov 2008 - 13:34

18 Valores

Está muito bem! Umas imagens e ainda ficava melhor. Rolling Eyes

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Re: "O Amor é Fodido" de Miguel Esteves Cardoso

Mensagem por x Clau Clau em Ter 25 Nov 2008 - 11:21

Parece que já tinha lido a última parte da tua opinião sobre o livro, num site ou num blog, parece-me que foi o próprio escritor que o disse numa entrevista Arrow Elogio ao Amor de Miguel Esteves Cardoso, no jornal "In Expresso".

Só com uma simples entrevista este autor consegue cativar toda a nossa atenção, imagino o que é ler um livro dele.



Boas Leituras flower
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Re: "O Amor é Fodido" de Miguel Esteves Cardoso

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