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Quincas Borba - Machado de Assis

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Leitor Quincas Borba - Machado de Assis

Mensagem por Felipe Akira Okamuro em Ter 25 Nov 2008 - 11:41

[b]1.Identificação do livro[/b]

1.1 Título
Quincas Borba





1.2 Autor
Machado de Assis

1.3 Editora
Ática

1.4 Data de edição
1977

2. Escolha do livro

2.1. Motivos que levaram à escolha do livro
Em 2008,comemora-se o centenário da morte de Machado de Assis, por isso decidimos só apresentar livros desse autor.

3. Contextualização do Autor

3.1. Alguns dados biográficos
Joaquim Maria Machado de Assis, geralmente considerado maior escritor brasileiro, nasceu a 21 de junho de 1839 mo Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade, a 29 de setembro de 1908.Seu pai, o mulato Joaquim, era pintor de paredes;sua mãe, a portuguesa Maria Leopoldina, lavadeira.

Machado passou sua infância entre a chácara de Livramento(de propriedade de sua madrinha) e a casa pobre dos pais, percebendo desde muito cedo os desníveis sociais recebendo as primeiras impressões do ambiente descrito em suas obras. A pobreza, a cor, a timidez e a gagueira reforçaram seu isolamento.O menino já sentia umas “coisas esquisitas”, como desmaios ou crises nervosas, prenúncios da epilepsia que se manifestaria alguns anos mais tarde.Depois da morte da mãe(1849), o pai casou-se novamente.Maria Inês, a madrasta, ensinou ao menino as primeiras letras e criou-o com carinho após a morte do pai(1851).Ela empregou-se como cozinheira nas horas livres fazia balas, que o garoto vendia nas ruas da cidade.Em suas andanças, o jovem baleiro conheceu a senhora Gallot, francesa dona de uma padaria que lhe ensinou seu idioma.Em 1855, ele consegue o emprego como aprendiz de tipógrafo na oficina do jornalista Francisco de Paula Brito.Logo em seguida estréia no jornal A Marmota, com os versos de amor Meu Anjo.

No Ano seguinte, trabalhando na Imprensa Nacional torna-se amigo de Manuel Antonio de Almeida, seu protetor durante muito tempo.A partir de 1858, Machado de Assis passou a escrever regularmente no Correio Mercantil e em outros jornais cariocas.Em 1869 casou-se com Carolina Xavier de Novais, em 1870, publicou Contos Fluminenses volume que inaugurou sua longa carreira de escritor.

3.2. Outras Obras do Autor
-Crisálidas (1864)
-Falenas (1870)
-Americanas (1875)
-Histórias da Meia Noite (1873)
-Histórias sem Data (1884)

4. Conteúdo do Livro

4.1. Gênero Literário
Romance

4.2. Assunto:

Publicada entre 15/06/1886 a 15/09/1891 na revista Estação é a continuação da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Inicialmente o livro de Romance, que tem um foco narrativo em 3ª pessoa, tem como tema à loucura despertada, através de um processo que ativa fatores latentes.

Com isso, o autor joga com palavras que simulam oscilações da estrutura que o substancia, transformando de repente a personagem de “professor em capitalista”.


A história começa com a morte de Quincas Borba, um homem pobre que conseguiu fortuna. Amava seu cachorro - também chamado Quincas Borba - que era tratado como ser humano.
Sua morte trouxe fortuna para o amigo Rubião, porém sua condição para que ele desfrutasse do bem seria cuidar do animal com o mesmo sentimento que ele tinha pelo amigo Quincas Borba.
Rubião deslumbrado pelo novo modo de vida decide deixar sua cidade natal, Barbacena e vai morar no Rio de Janeiro. Nesse tempo conhece um casal, Sofia e Palha que o impressionam. O homem, pela juventude e inteligência nos negócios e a mulher pela beleza e magnitude. Palha além de “amigo” torna-se sócio e dependente financeiro de Rubião. Já Sofia, que percebe os sentimentos amorosos do amigo, começa a fazer um jogo de sedução interesseiro.
Aos poucos Rubião contaminado pelo sentimento de ganância, ao mesmo tempo com sua ingenuidade que lhe era peculiar, vai perdendo seu dinheiro e sua sanidade.
Repudiado pelos amigos e pelo casal que compra sua casa em leilão, aprofunda-se num sentimento de depressão. Manipulado mais uma vez por Palha que agora possue todo o seu dinheiro, é internado num hospício junto com o cachorro, Quincas Borba, que até então fora seu único e verdadeiro amigo.
Os dois fogem do hospício e voltam para Barbacena, quando a loucura de Rubião já é evidente, persistindo na afirmação usada pelo amigo Quincas Borba: “ao vencedor, as batatas”. Com a saúde já bastante debilitada Rubião morre na casa de sua comadre Angélica.
O cão, Quincas Borba, desvairado foge em busca do dono e morre na rua pouco tempo depois.
.


A FILOSOFIA
O livro representa a filosofia inventada por Quincas Borba, de que a vida é um campo de batalha onde só os mais fortes sobrevivem e que fracos e ingênuos, como Rubião, são manipulados e aniquilados pelos superiores e espertos, como Palha e Sofia, que no fim da obra terminam vivos e ricos.
HUMANITAS
Princípio de Quincas Borba: “Nunca há morte. Há encontro de duas expansões, ou expansão de duas formas”.
Explicando de uma melhor maneira, criou a frase: “Ao vencedor, as batatas”, princípio esse que marcou e é o enfoque principal do enredo.

-“Supõe-se em um capo de batatas duas tribos famintas. As batatas apenas chegavam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrerão de inanição. A paz, neste caso, é a destruição; a guerra, é a esperança."
Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí, a alegria da vitória, os hinos, as aclamações. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se. Ao vencido, o ódio ou compaixão.....Ao vencedor, as batatas!

UM NARRADOR GENIAL
O narrador de Quincas Borba é, em certa medida, o próprio Machado de Assis. É importante observar que não se deve confundir o narrador com o escritor.

Neste romance, porém, Machado de Assis assume a postura de escritor/narrador. A passagem a seguir, como outras da obra, quebra a objetividade do narrador em 3ª pessoa: “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora, em Barbacena”.

OBS: As narrativas de Memórias Póstumas de Brás Cubas e de Quincas Borba tocam-se no início do capítulo IV, sendo uma espécie de continuação daquela. Mas a história de Quincas Borba é completamente outra.

Este romance mostra a caminhada de Rubião para a loucura. De modo que o verdadeiro elo entre os romances é apenas o Humanitismo, filosofia com a qual Quincas Borba marcou sensivelmente Brás Cubas, mas da qual apesar de seus esforços, nada conseguiu transmitir a Rubião.



4.3. Citações favoritas
Citação 1:
"Sofia... disse de repente Rubião; e continuou com pausa: -Sofia, os dias passam, mas nenhum homem esquece a mulher que verdadeiramente gostou dele ou então não merece o nome de homem. Os nossos amores não serão esquecidos nunca, -por mim, está claro, e estou certo que nem por ti. Tudo me deste, Sofia; a tua própria vida correu perigo. Verdade é que eu te vingaria, minha bela. Se a vingança pode alegrar os mortos, terias o maior prazer possível. Felizmente, meu destino protegeu-nos, e pudemos amar sem peias nem sangue..."(Capítulo CLIII)

Começa aqui o delírio de Rubião, que já estava delineado no capítulo CXLVI, quando o barbeiro lhe raspou as barbas à semelhança da imagem de Napoleão. Aqui, Rubião começa a se identificar com o imperador e imagina Sofia como Eugenia, sua amante.

Citação 2:
"(...)O marido de dona Fernanda envolvera Sofia em um grande olhar de admiração. Ela, em verdade, estava nos seus melhores dias; o vestido sublimava admiravelmente a gentileza do busto, o estreito da cintura e o relevo delicado das cadeiras; era foulard, cor de palha.
-Cor de palha, acentuou Sofia rindo, quando dona Fernanda o elogiou, pouco depois de entrar; cor de palha, como uma lembrança deste senhor".(Capítulo CLIX)

O trocadilho feito com o nome de Palha, revela ambiguidade deste nome, pois a cor de palha pálida e a própria palha é fraca. Seria uma alusão ao caráter frágil de Cristiano Palha.


4.4. Opinião sobre o livro

A estória do fim do século XIX faz críticas a sociedade da época. Exemplo disso, são as pessoas aproveitadoras que se aproximavam de Rubião.
Uma sociedade onde os ingênuos são dominados pelos mais espertos e mais fortes, não muito diferente da sociedade de hoje em dia.







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Leitor Re: Quincas Borba - Machado de Assis

Mensagem por Rute em Qua 26 Nov 2008 - 15:09

18

Muito completo =)
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Leitor Re: Quincas Borba - Machado de Assis

Mensagem por Filipe Azevedo em Qua 26 Nov 2008 - 15:42

Parabéns Bruna, 18 valores é uma excelente nota!

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Leitor Re: Quincas Borba - Machado de Assis

Mensagem por Bruna Aparecida Biasotti em Seg 1 Dez 2008 - 9:53

Filipe Azevedo escreveu:Parabéns Bruna, 18 valores é uma excelente nota!
Ki bom!!!!^^
Obrigada... lol!
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